Incontinência urinária tem solução: afaste os mitos e conheça os tratamentos

por | 23 ago, 2021

7 min. de leitura

Você está distraída fazendo as atividades do seu dia quando, de repente… opa! algumas gotinhas escaparam. O que a princípio gera dúvidas sobre o que possa estar acontecendo, em algumas semanas torna-se um diagnóstico claro: incontinência urinária. Com o tempo, o pequeno desconforto começa a interferir na vida cotidiana, fazendo com que pense duas vezes antes de praticar exercícios, beber água e até sair de casa. A autoestima é afetada e muitas passam a evitar compromissos sociais, isolando-se. Tudo por medo de passar um constrangimento em público.

Ainda que isso não tenha acontecido com você, é possível que esteja afetando alguma amiga próxima. Com maior prevalência entre as mulheres, especialmente após a menopausa, a perda involuntária de xixi é enfrentada por muitas, mas comentada por poucas. Foi o que descobriu a jornalista Patricia Parenza ao vivenciar essa situação. Perceber como o assunto ainda era tratado como tabu motivou-a a falar abertamente sobre o assunto. Sócia da consultoria As Patricias, a jornalista especializada em moda foi além: transformou seu Instagram em um espaço para debater temas voltados à saúde e à autoestima de mulheres maduras – um universo no qual, volta e meia, a incontinência urinária aparece.

“Tenho incontinência urinária há muito tempo, desde os 42 anos. É de origem genética, pois minha mãe também tem. Percebi um dia que saí para dançar com amigas. O álcool relaxa os músculos, e escapou um pouco de xixi. Depois disso, toda vez que eu tossia e espirrava com muita força, voltava a acontecer”, lembra a jornalista. Um dia, ao perder urina durante uma aula de kangoo, ela decidiu conversar sobre o tema com a professora. Foi quando deparou com a primeira de uma série de tabus que cercam a incontinência urinária: a de que se trata de algo normal.

Informada pela professora de que o problema era comum e não tinha tratamento, Patricia não se conformou e decidiu buscar ajuda médica. A uroginecologista Daiane Gottlieb explica que, de fato, a incontinência urinária não deve ser vista como algo normal. “Ela pode até ser muito comum depois de uma idade, mas não é obrigatório conviver com ela. O fato de o acesso à informação estar mais fácil ajuda. Ainda assim, muitas pacientes não buscam tratamento por vergonha ou por acreditar que é parte do processo de envelhecimento”, diz a médica, que é preceptora da Residência em Ginecologia e Obstetrícia na Santa Casa/UFCSPA e professora assistente de Ginecologia e Obstetrícia na Unisinos.

A médica também desfaz outro mito sobre a incontinência urinária: o de que ela afeta apenas pessoas idosas. Tanto não é verdade que Patricia começou a sentir os sintomas aos 42 anos, antes mesmo da menopausa. “A gente sabe que perto da sexta década de vida é quando começa a aumentar a incidência, mas há casos de pacientes na faixa dos 30 anos. Recentemente, atendi uma paciente de 28 anos com essa queixa”, explica a doutora Daiane.

Causas

Algumas das causas mais comuns da incontinência urinária podem estar relacionadas com:

  • A quantidade de gestações [quanto maior o número de gestações, maior o risco de desenvolver o problema];
  • Obesidade;
  • Doenças hepáticas como cirrose e outras que provocam aumento no volume abdominal;
  • Histórico familiar;
  • Menopausa.

Como a perda de urina pode ser causada pela flacidez do assoalho pélvico, um dos pilares do tratamento inicial está justamente no fortalecimento desse conjunto de músculos e ligamentos que sustentam órgãos como útero, reto, intestino e, claro, a bexiga. Isso é possível graças à fisioterapia pélvica, que, como explica a doutora Daiane, é uma das primeiras estratégias de tratamento e tem benefícios em todas as situações de incontinência urinária: “São exercícios preventivos que todos deveriam saber fazer em casa, pois se beneficiariam”. Por isso, foi o primeiro caminho adotado por Patricia Parenza.

“Fiz quase um ano de fisioterapia pélvica, duas vezes por semana, e exercícios diários que a fisioterapeuta me passava. Fiquei super bem. Então, comecei a entrar na pré-menopausa, aos 46 anos. Estou na perimenopausa [período no qual a menstruação começa a espaçar e o organismo produz pouco estrogênio e progesterona], e com isso, a produção de colágeno também despenca. Resultado: comecei a ter escape de xixi de novo.”, conta Patrícia.

Incontinência urinária, mulher realiza exercícios

Tratamento

Em casos de incontinência urinária persistente, a doutora Daiane apresenta, além da fisioterapia pélvica, duas opções de tratamento:

  • Medicação: indicada especialmente para os casos de incontinência de urgência, quando há vontade repentina de ir ao banheiro e, muitas vezes, não é possível segurar o xixi nesse curto período.
  • Cirurgia: aplicável apenas à incontinência urinária de esforço, quando há perda de urina ao espirrar, por exemplo. Uma das intervenções mais comuns consiste em passar uma faixa de tecido sintético ou um tecido retirado do próprio paciente, posicionando-a embaixo da uretra, para dar-lhe sustentação e não deixar a urina escapar. É realizada apenas quando outras alternativas não resolveram o problema da paciente.

Em meio às suas pesquisas por tratamentos não invasivos para a incontinência urinária, Patricia conheceu também um dos tratamentos mais modernos disponíveis, o laser Fotona. Trata-se de um laser íntimo com ponteira específica para o canal vaginal, que induz a produção de colágeno, elastina e, também, de novos vasos na área de aplicação.

“O fotona é uma alternativa para a incontinência urinária, especialmente a incontinência de esforço leve. Ele é um laser de erbium que tem afinidade pela água. Através de um efeito fototérmico, faz contração nos tecidos, estimulando a produção de colágeno e elastina. Na aplicação vaginal, direciona-se a energia para o assoalho pélvico, reforçando os ligamentos e melhorando a sustentação da região o que ajuda a paciente a ter mais controle dos seus esfíncteres. Outra ação do laser é estimular um remodelamento do trofismo vaginal, melhorando a capacidade de lubrificação, entre outros benefícios. É um excelente tratamento não invasivo para as pacientes com pequenos escapes de urina”, explica a dermatologista Fairuz Helena Castro, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica.

“Já fiz duas sessões, e já percebi, por exemplo, a mudança no jato do xixi. Porque quando você está com incontinência urinária, o jato é disperso, e voltou a ser mais linear. Vou fazer mais duas sessões para ter mais resultados. O Fotona também é bom porque ajuda na lubrificação, pois o ressecamento é uma das queixas das mulheres da minha faixa etária”, relata a jornalista.

A doutora Daiane comenta que a técnica está entre as alternativas modernas que usam diferentes tipos de energia, como o laser fracionado e CO2. “São técnicas novas que ainda estão em uso experimental. Há bastante gente fazendo e tendo bons resultados. Mas, justamente por ser tão recente, não há comprovação científica e não pode ser considerada como tratamento único: deve ser sempre individualizado e associado a outros tratamentos convencionais”, recomenda a uroginecologista.

O importante, sempre, é dar início a um tratamento individualizado. “Não existe receita de bolo. Tem paciente que vai resolver o problema só com fisioterapia pélvica, outras que vão precisar de remédio ou de intervenção cirúrgica”, explica Daiane. Seja qual for o seu caso, saiba que a situação é reversível com tratamento e acompanhamento médico.

Comente com as amigas e troque mais informações – é possível que alguém também esteja passando por essa situação. Ultrapassando tabus, conquistamos mais qualidade de vida!

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