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Hepatite misteriosa, a doença que tem atingido crianças no Brasil e no mundo

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13/06/2022
5 min. de leitura

A ocorrência de um novo tipo de hepatite entre crianças tem deixado os pais e pediatras em alerta nas últimas semanas. O número de crianças saudáveis que contraíram a hepatite aguda infantil, também chamada de hepatite desconhecida ou hepatite misteriosa, cresceu no mundo todo, incluindo o Brasil. Até o final de maio, eram 72 casos em território nacional, incluindo seis óbitos.

Caracterizada por uma inflamação do fígado, a hepatite é considerada aguda quando se desenvolve de forma rápida e repentina. A infectologista pediátrica Fernanda Varela explica que as hep​​atites clássicas são causadas por fatores  infecciosos, medicamentosos e autoimunes. A causa da hepatite misteriosa, porém, ainda está sendo investigada, mas acredita-se que ela tenha causa de origem infecciosa.

"A grande questão da hepatite misteriosa é que ela está acontecendo com crianças que geralmente não têm quadros tão graves de hepatite e cujos exames para identificar as causas de hepatite infecciosa têm resultado negativo, não identificando qual o agente causador da doença", afirma a médica.

Em grande parte dos pacientes diagnosticados com a hepatite misteriosa, identificou-se a presença do adenovírus, um vírus comum na infância e especialmente recorrente nos meses de inverno. "Ele pode provocar resfriados comuns e quadros de infecção intestinal. Grande parte dos pacientes foi identificada com esse vírus no sangue, mas não se tem certeza absoluta que é ele o causador da hepatite", pontua a infectologista pediátrica. Outra suspeita é de que a hepatite misteriosa esteja relacionada à Covid-19 - no Reino Unido, o vírus SARS-CoV-2 foi identificado em 18% dos casos relatados. A hipótese, porém, não chegou a ser confirmada.

De acordo com a doutora Fernanda, o quadro clínico da hepatite misteriosa é semelhante ao das demais hepatites. Os sintomas mais comuns são:

  • Dor abdominal
  • Vômitos
  • Náusea
  • Mal-estar
  • Icterícia (aspecto amarelado na pele e nos olhos)

Apesar de ser um quadro grave, ele é raro e são poucos os casos descritos no Brasil. Os pais devem ficar especialmente atentos a quadros de gastroenterite, de infecção ou desconforto abdominal. "São casos em que a suspeita de hepatite misteriosa é levantada, mas vai depender muito da evolução clínica. Os pais devem consultar preferencialmente com seu o pediatra, e ir na emergência apenas em casos necessário como um quadro em que a criança não consegue ingerir nem mesmo líquidos sem vomitar e corre o risco de desidratação. A avaliação clínica vai identificar a necessidade de que a criança realize algum", afirma Fernanda.

Trans​​missão da hepatite

A causa da hepatite misteriosa ainda não foi identificada, mas a forma de transmissão dos demais tipos da doença é amplamente conhecida. Saiba mais:

  • Hepatite A: a transmissão ocorre via fecal-oral, por contato entre pessoas ou por meio de água ou alimentos contaminados.
  • Hepatites B e D: a transmissão ocorre através de relações sexuais sem preservativo, da mãe para o filho durante a gestação ou parto, e pelo compartilhamento de objetos contaminados, como materiais não esterilizados de manicures e estúdios de tatuagens e piercings.
  • Hepatite C: nesse tipo de hepatite, a transmissão ocorre pelo contato com sangue contaminado, seja por transfusão de sangue, acidente com material contaminado ou compartilhamento de drogas injetáveis.
  • Hepatite E: também ocorre por transmissão fecal-oral, pelo contato entre pessoas ou pela água ou alimentos contaminados. A incidência é maior na África e na Ásia.

Além disso, a hepatite também pode ser causada pelo abuso de álcool, drogas ou medicamentos ou ser consequência de doenças autoimunes.

Tratamento

Nos casos de hepatite misteriosa, os tratamentos têm buscado aliviar os sintomas, além de manejar e estabilizar o paciente quando o quadro for grave. No caso de quadro com hepatite fulminante ou evolução para insuficiência hepática um dos recursos terapêuticos pode ser o transplante hepático. A expectativa é que as  recomendações de tratamento sejam aprimoradas quando a origem da infecção for descoberta.

O tratamento da hepatite pode variar de acordo com a causa da doença, a gravidade dos sintomas e a forma de contágio. "Ele é principalmente de suporte. Para a hepatite A, por exemplo, inclui hidratação, medicação para náuseas, vômitos e dor, quando houver. Já para as hepatites B e C, o tratamento, quando for indicado, é medicamentoso e prescrito em ambulatório. Nas outras hepatites infecciosas, não há tratamento direcionado. As hepatites autoimunes precisam de diagnóstico para direcionar o tratamento. E no caso da hepatite medicamentosa, identifica-se qual medicamento está causando a doença, para retirá-lo do paciente.

Medidas de prevenção

Além da atenção aos sinais descritos acima, a Organização Pan-Americana de Saúde

recomenda medidas básicas de higiene, como lavar as mãos, cobrir a boca ao tossir ou espirrar para prevenir infecções, que também podem proteger contra a transmissão do adenovírus.

A prevenção das hepatites é possível nos casos de hepatites infecciosas, por meio da vacinação:

Já para as hepatites infecciosas C, D e E, ainda não existe vacina disponível, por isso, a melhor maneira de se prevenir é evitar se infectar. "A maior parte das pessoas que têm hepatite C, atualmente, pegaram há algum tempo, em transfusões de sangue ou em locais como estúdios de tatuagem que não seguiam o protocolo da Vigilância Sanitária. Atualmente, a transmissão por transfusão já não é mais vista, pois é muito monitorada", afirma Fernanda.

Agora que você já sabe mais sobre as hepatites, preste atenção aos sinais e mantenha em dia a vacinação contra a doença. Em caso de sintomas de hepatite misteriosa, procure seu pediatra.

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