Trombose: o que é, como tratar e prevenir

por | 16 jun, 2021

7 min. de leitura

A trombose acontece quando há formação de um ou mais coágulos — chamado de trombo — em um vaso sanguíneo, que bloqueia ou prejudica o fluxo de sangue e causa inchaço e dor na região do corpo humano.

A coagulação do sangue é uma defesa natural do corpo contra o sangramento. Quando um vaso sanguíneo é ferido, o organismo produz plaquetas e fibrina para evitar uma perda excessiva de sangue. Normalmente, o coágulo é dissolvido após a cura, no entanto, às vezes, os coágulos se formam de forma inadequada ou não se dissolvem. Ou seja, permanece na circulação e pode começar a obstruir o fluxo de sangue e formar um êmbolo que se move ao redor da corrente sanguínea.

Segundo o médico angiologista e presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), Bruno de Lima Naves, existem três fatores desencadeantes: falta de movimento prolongado, alterações de coagulação e trauma. Além disso, geralmente a condição acontece após cirurgia, sendo mais frequente após procedimentos ortopédicos, oncológicos e ginecológicos.

O angiologista ainda aponta que pode haver outras causas de alterações de coagulação, como o uso da pílula anticoncepcional e hormônios de reposição hormonal no período da menopausa, sobretudo se estes estão associados ao fumo. “Se houver casos de trombose na família, é importante que essa informação seja relatada para o ginecologista que vai avaliar os riscos e benefícios do uso da pílula anticoncepcional. A pílula como fator único muito raramente causa trombose. Mas, se além da pílula a pessoa for fumante, sedentária, ficar longos períodos imobilizada, aí sim os trombos podem acontecer”.

A idade avançada também se torna um fator de risco, uma vez que o envelhecimento aumenta as chances de trombose, assim como doenças mais graves, como câncer, que causam alterações no sangue e, consequentemente, o surgimento de trombos.

Existem dois tipos principais de trombose:

Trombose Arterial

É a forma mais conhecida de trombose, se refere a formação de um coágulo sanguíneo que bloqueia uma artéria. As artérias transportam o sangue do coração para outras partes do corpo, por isso, os coágulos sanguíneos arteriais podem bloquear o fluxo sanguíneo para o coração e o cérebro, geralmente resultando em um ataque cardíaco ou derrame.

Trombose Venosa

Conhecida como tromboembolismo venoso ou TEV, refere-se a um coágulo sanguíneo em uma veia. As veias transportam sangue de outras partes do corpo para o coração. O TEV é uma condição que inclui trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP).

De acordo com a SBACV, as estimativas no Brasil apontam, de maneira geral, 60 casos de Trombose Venosa Profunda (TVP) para cada 100.000 habitantes ao ano.

Quais são os fatores de risco?

A trombose possui inúmeras causas e fatores de risco. A maior parte podem ser prevenidas e evitadas, por isso é importante ter um acompanhamento médico e realizar exames regularmente. Adotar um estilo de vida saudável também é uma ótima opção.

As principais causas da trombose são:

  • Cirurgia ou algum procedimento;
  • Uso de anticoncepcionais ou tratamento hormonal;
  • Tabagismo;
  • Ficar sentado ou deitado muito tempo;
  • Hereditariedade;
  • Gravidez;
  • Presença de varizes;
  • Idade avançada;
  • Pacientes com insuficiência cardíaca;
  • Tumores malignos;
  • Obesidade;
  • Distúrbios de hipercoagulabilidade hereditários ou adquiridos;
  • História prévia de trombose venosa.
Trombose, mulher grávida com dor na perna

Sintomas da trombose

A Trombose Venosa Profunda (TVP) pode ser absolutamente assintomática. Quando presentes, os principais sintomas são nessa forma da doença são:

  • Dor;
  • Calor;
  • Vermelhidão;
  • Rigidez da musculatura na região em que se formou o trombo.

Outros sinais mais evidentes que podem indicar a presença de coágulos sanguíneos:

  • Uma dor diferente da dor da cirurgia;
  • Vermelhidão ao longo da perna;
  • Inchaço repentino ou que está piorando;
  • Aumento da temperatura do local;
  • Respiração curta e rápida e palpitações, podendo acontecer algum desmaio;
  • Tosse com sangue;
  • Dor incomum no peito ou nas costas.

Como é feito o tratamento da trombose?

O diagnóstico e tratamento da trombose devem ser realizados por um angiologista ou cirurgião vascular. Ao apresentar os sintomas da doença, esses profissionais devem ser consultados.

Uma vez confirmado o diagnóstico pelo especialista, o tratamento deve ser iniciado imediatamente. Nesse momento, o acompanhamento visa cumprir quatro objetivos: impedir o crescimento do coágulo sanguíneo; impedir que este coágulo avance para outras regiões do corpo; evitar complicações e reduzir as chances de recorrência da doença.

Alguns medicamentos e outras formas de auxiliar no tratamento podem ser indicadas pelo profissional de saúde, de acordo com cada caso. “Na grande maioria das vezes o tratamento é feito com anticoagulantes. Casos mais graves podem ser necessários medicamentos fibrinolíticos, que dissolvem o trombo mas que podem ter reações adversas importantes”, aponta Naves.

A trombose, se não for tratada correta e imediatamente, pode evoluir para algumas complicações. Dependendo do segmento de veia acometido, a trombose pode ser mais ou menos grave. Quando o coágulo obstrui uma pequena veia da perna, causa um transtorno localizado naquela região. Quanto mais próximo do coração, ou maior a veia, maior será a gravidade da trombose, assim como a possibilidade de matar.

De acordo com o Ministério da Saúde, as principais complicações da trombose são:

  • Insuficiência venosa crônica ou síndrome pós-trombótica;
  • Inchaço crônico da perna afetada e/ou dor acompanhado de varizes;
  • Mudanças na pele, que pode se tornar mais escura e seca;
  • Eczema, coceira muito forte que pode levar a uma ferida de difícil cicatrização;
  • Embolia pulmonar (EP) – a maior e principal complicação decorrente de trombose – quando um vaso sanguíneo do pulmão é obstruído por coágulo de sangue, oriundo de outras partes do corpo, especialmente as pernas. A embolia pulmonar pode ser fatal.

Prevenção

6O presidente da SBACV ressalta que a trombose pode ser evitada com uma medida muito simples: cuidar bem da saúde vascular.  Para isso, é importante inserir no dia a dia atividades físicas regulares, com atenção especial em exercícios para a musculatura da panturrilha, “nosso coração das pernas”, diz Naves. Além do mais, ele aconselha outras medidas que são fundamentais, como:

  • Manter um peso equilibrado;
  • Boa hidratação;
  • Evitar longos períodos parado na mesma posição;
  • Não fumar;

É necessário, também, que as pessoas procurem conhecer o histórico de doenças familiares. “Em casos de muitos parentes com relatos de trombose, procure um vascular. Se tiver varizes, trate”, destaca o angiologista.

Trombose, mulher alonga a panturrilha

Trombose e Covid-19

A trombose está cada vez mais sendo associada à Covid-19, doença causada pelo vírus SARS-CoV-2.  Segundo Naves, isso ocorre porque “a Covid-19 causa uma endotelite que é uma inflamação da parede vascular. A proteína Spike arranha a parede do vaso que é muito lisa, e essa lesão promove a formação de coágulos. Funciona como um trauma na parede vascular”.

Recentemente, casos de trombose também foram identificados após a vacinação contra a doença. O angiologista explica que esses casos isolados relatados em relação a vacinação ocorrem por conta de uma reação “alérgica” à vacina, do mesmo modo que algumas pessoas têm por penicilina e dipirona, por exemplo. Ressaltando ainda que a formação de coágulos acontece com a doença, não com a aplicação do imunizante.

“Nestes casos [de reação alérgica] pode ocorrer uma trombose em locais atípicos. No momento, a recomendação é tomar a vacina. Claro, é sempre bom manter as mesmas recomendações de prevenção para quem já tomou a vacina, de manter-se bem hidratado e evitar imobilização prolongada”, conclui.

Agora que você sabe o que é e o que causa a trombose, cuide-se. Se tiver sintomas ou alguma suspeita procure um profissional de saúde.

Fonte: Infohealth

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