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Não deixe a sua enxaqueca virar uma dor de cabeça diária

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04/08/2022
4 min. de leitura

Sabe aqueles dias em que a sua cabeça lateja e até a sua própria voz ou a luz da tela do celular parece lhe incomodar? Sim. Pode ser enxaqueca. A doença atinge 15% dos brasileiros ou cerca de 30 milhões de pessoas e, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a sexta mais incapacitante do mundo. O Dr. Fernando Kowacs, neurologista do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, explica que a enxaqueca gera um grande dano sobre a qualidade de vida dos pacientes, ocasionando prejuízos em sua produtividade no trabalho e na sua vida social e familiar.

Mas o que é a enxaqueca?

A enxaqueca é uma doença crônica que se caracteriza por crises de dor de cabeça, que podem durar de quatro horas até três dias. A dor tende a ter uma característica latejante e afetar um lado só da cabeça, além de ser uma dor de cabeça mais forte que piora com o movimento e, normalmente, é acompanhada por incômodo com a luz e com os ruídos e náuseas, com ou sem vômitos.

Banalização da doença

“É comum a ideia de que a enxaqueca é um 'mimimi' ou uma fraqueza do indivíduo. Na verdade, essa ‘trivialização’ da doença, seja pelos que estão à volta, pelos médicos ou até pelo próprio paciente, é um problema importante. Tradicionalmente, são buscadas possíveis causas externas para a enxaqueca. Ou seja, é dito que ela pode decorrer da dieta ou de algum hábito ruim, o que acaba colocando a responsabilidade – ou a culpa – da doença sobre a própria pessoa”, esclarece o médico neurologista.

“Entretanto, sabemos hoje que a enxaqueca é uma doença neurológica, de causa genética, onde os fatores externos podem agir como desencadeadores das crises, mas nunca como a causa da doença”, explica o Dr. Fernando Kowacs. “Quando falamos sobre a gravidade da enxaqueca, ao contrário de várias outras doenças neurológicas, podemos dizer que ela não traz o risco de morte ou de sequelas. Mas ela causa muito sofrimento e dificuldades, justamente em uma fase da vida de grande atividade, na qual as pessoas têm que formar família e trabalhar de forma mais intensa, pois é mais prevalente entre os adultos jovens”, observa.

Necessidade de tratamento

Segundo o especialista, o problema da enxaqueca não ser tratada é que, nos casos em que as crises se tornam mais frequentes, pode existir um agravamento do quadro pelo uso excessivo de medicamentos sintomáticos. “O que acontece? A pessoa só trata das crises quando elas ocorrem e isso, a partir de dez dias por mês (quando falamos dos analgésicos combinados e dos medicamentos específicos para enxaqueca) ou a partir de quinze dias por mês (quando falamos dos anti-inflamatórios ou dos analgésicos simples), pode fazer com que ocorra um aumento da frequência das crises”, analisa.

“Então, consideramos que o paciente desenvolve uma dor de cabeça por uso excessivo de medicamentos, junto com a enxaqueca, o que pode desencadear crises diárias e, portanto, dificultar bastante o tratamento e trazer um grau de comprometimento à vida da pessoa muito maior”, reconhece o especialista.

COVID-19

Já em relação ao período da pandemia, não existem estatísticas que comprovem se houve aumento dos casos de enxaqueca nos últimos dois anos. “Sabemos que a dor de cabeça, em si, foi um sintoma relativamente comum na infecção por COVID-19, relatado em 15% a 70% dos casos. Aparentemente, esses mesmos pacientes apresentaram mais perda de olfato, porém tiveram um prognóstico melhor em relação aos problemas respiratórios”, compara o Dr. Fernando Kowacs.

O médico observa que, desde 2020, alguns pacientes com enxaqueca pioraram depois de apresentar o COVID e passaram a ter crises mais frequentes, durante algum tempo. “Mas, na síndrome pós-COVID ou COVID longa, a dor de cabeça não é um dos sintomas principais, que são a fadiga e as dificuldades cognitivas, como a falta de concentração, por exemplo”, garante o neurologista.

Avanços na farmacologia

A boa notícia é que houve uma verdadeira revolução no tratamento da enxaqueca, nos últimos anos. “Surgiram novos medicamentos que são os anticorpos monoclonais anti-CGRP (ou o anticorpo antirreceptor de CGRP), que realmente têm um perfil diferenciado e foram desenvolvidos especificamente para a prevenção da enxaqueca, ao contrário dos medicamentos preventivos que, até então, vinham sendo utilizados. E eles trouxeram benefícios importantes por terem uma relação entre eficácia e efeitos adversos superior aos fármacos tradicionais orais”, avalia.

Recomendação médica

“Quando o paciente tem episódios de enxaqueca há mais tempo e de forma repetida, precisa procurar um tratamento eficaz. Quando a enxaqueca é tratada antes das crises tornarem-se muito frequentes, ela pode ser controlada. Então, se você tiver três ou mais crises por mês, deve ao menos considerar fazer um tratamento preventivo. Para isso, nós temos vários medicamentos e também algumas técnicas não farmacológicas que podem diminuir muito a frequência e a intensidade dessas crises”, garante o médico.

Fonte: Dr. Fernando Kowacs (CRM: 16816), médico neurologista do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento.

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