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Outubro Rosa: diagnóstico precoce do câncer de mama salva vidas

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19/10/2021
8 min. de leitura

Ele é tão frequente que provavelmente você conhece algum caso próximo, na família, no trabalho ou no círculo de amigas. Afinal, o câncer de mama é o tumor que mais acomete as mulheres: aproximadamente uma em cada oito receberá esse diagnóstico ao longo da vida, conforme explica a médica mastologista Michela Fauth Marczyk, do Núcleo Mama do Hospital Moinhos de Vento.

A incidência do câncer de mama é tamanha que, a cada ano do triênio 2020/2022, 66.280 novos casos devem ser diagnosticados no Brasil, de acordo com projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Nesse cenário, uma pergunta se torna fundamental: com que frequência você realiza o autoexame das mamas? Muitas vezes, esse é o primeiro e decisivo passo que leva ao diagnóstico do tumor.

"Eu prefiro falar em autoconhecimento das mamas, pois o exame de verdade deve ser realizado pelo médico. Assim, estimulamos que todas as mulheres toquem seus seios, acostumem-se com sua textura, com a forma das mamas e dos mamilos. É importante que elas, assim como os homens, conheçam o que é normal no seu corpo. Assim, estarão aptos a perceber rapidamente se houver alguma modificação", explica a doutora Michela, que também é médica mastologista voluntária do Imama, membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Mastologia do RS e diretora do Simers.

A fala da especialista também alerta para algo que costuma passar batido para os homens: o fato de que eles também podem desenvolver câncer de mama. Ainda que o diagnóstico deste tipo de tumor seja mais raro nos homens, é importante que eles também conheçam suas mamas, que costumam ser rudimentares e pouco desenvolvidas, por não amamentarem.

Como realizar o autoexame

A importância do autoexame ganha ainda mais evidência durante este Outubro Rosa. O movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama foi criado no início da década de 1990 para compartilhar informações, proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade. E, como já falamos, tudo pode começar pelo autoexame. Veja as orientações da mastologista Michela para realizá-lo:

  • Realize a inspeção das mamas uma vez por mês;
  • Pessoas que ainda menstruam devem realizar o autoexame de 7 a 10 dias após o término do sangramento menstrual - é quando as mamas ficam menos edemaciadas, mais macias e menos doloridas.
  • Pessoas que não menstruam mais, que estão na menopausa ou que usam algum anticoncepcional contínuo e não menstruam também devem inspecionar e apalpar as mamas também uma vez por mês. Nesse caso, a dica para não esquecer é sempre realizar o exame no dia que corresponde ao seu aniversário, mensalmente.
  • Ao realizar o autoexame das mamas, observe a forma em frente ao espelho.
  • Além disso, massageie as mamas no banho ou com hidratante, conhecendo seu tecido mamário.

Enquanto as jovens costumam ter mamas mais firmes e densas, as mais velhas podem ter mais tecido adiposo na região. Normalmente, as mamas costumam ter uma assimetria natural: podem ser uma maior que a outra, e também podem ter um ou os dois mamilos (bico dos seios) invertidos. Na maioria das mulheres, os mamilos são protusos, para fora. No entanto, quando algo muda, podem aparecer sinais como:

  • Quem não tinha o mamilo invertido, passa a ter.
  • Alguma secreção espontânea sai pelo mamilo.
  • Surgimento de uma área mais firme, nódulo ou caroço.
  • Aparecimento de uma área mais quente, uma alteração na pele, uma retração ou alteração visível.
  • Dor ou desconforto persistente.

Sempre que houver alterações, a possibilidade de um câncer de mama não deve ser descartada. Por isso, se notar qualquer um destes sinais, consulte com o especialista mastologista ou com o ginecologista.

"Não tenha medo de se autoconhecer, isso é um ato de autoamor. Muitas vezes, é a própria mulher que detecta algo alterado e procura ajuda e isso salva vidas! Dessa forma, qualquer caroço ou outra anormalidade deve ser investigada com o mastologista", explica a doutora Michela.

Mesmo que não tenha notado nenhuma alteração nas mamas durante o autoexame, não deixe de realizar a mamografia. Ela é o principal exame para a detecção precoce do câncer de mama e deve ser realizada anualmente, a partir dos 40 anos. A importância do exame é confirmada pela ciência: estudos mostram que realizar a mamografia anualmente a partir desta idade, em pacientes sem sintomas, para a detecção precoce do câncer de mama, reduz a mortalidade pela doença em mais de 35%.

Tratamento para o câncer de mama

E quanto mais cedo o câncer de mama for diagnosticado, maiores são as chances de se tratá-lo com cirurgia conservadora, conhecido como quadrante ou setorectomia. Quanto menor o tumor no momento do seu diagnóstico, maior a chance de cura, podendo chegar a 95%.

"Diagnosticar um câncer precocemente, ou seja, quando ele ainda tem menos de 1 centímetro, quando ainda não gerou metástases locais (nos linfonodos ou ínguas) ou quando ainda não gerou metástase à distância (órgãos mais acometidos: ossos, pulmões, fígado) é muito importante. Esse diagnóstico está associado à maior chance de cura e à menor necessidade de tratamentos mais agressivos", explica a mastologista Michela.

Além da mamografia, a ecografia mamária é um exame complementar  e que pode diferenciar as lesões entre cistos e nódulos sólidos, além de ser o principal exame para orientar as biópsias.

"Também contamos com a ressonância magnética das mamas com contraste, principalmente para aquelas mulheres que têm mutação genética para câncer de mama, história familiar importante de câncer ou prótese. Cada exame tem suas indicações especiais e cada caso deve ser avaliado pelo médico", afirma a doutora.

Avanços da ciência

Ainda que seja o tumor com mais incidência entre as mulheres, o câncer de mama também é um dos tumores mais estudados no mundo. A mastologista explica que os últimos anos registraram avanços nos tratamentos, proporcionando maiores chances de cura, diminuindo a reincidência e aumentando a sobrevida global das pacientes. "Na cirurgia, por exemplo, houve muitos avanços. Mesmo quando indicada a mastectomia (a retirada de toda a mama), utilizamos técnicas de preservação de pele e do complexo aréolo mamilar, quando possível, com reconstruções imediatas com expansores, próteses ou retalhos musculares", exemplifica.

O progresso também é notável na radioterapia, com equipamentos modernos, possibilidades de tratamentos mais rápidos e menos efeitos colaterais. A quimioterapia, por sua vez, está menos tóxica e ainda mais curativa, além do surgimento de novos quimioterápicos de resgate. A imunoterapia também tem seu papel, principalmente em alguns casos de tumores triplo negativos.

"Os tumores de mama têm muitas particularidades. Podemos dizer que nenhum é igual ao outro e que cada caso deve ser avaliado individualmente, entendendo o subtipo de cada tumor e as particularidades de cada paciente diagnosticada e oferecendo o melhor tratamento para cada uma. Com certeza é um dos tumores que oferece inúmeras possibilidades de tratamento e de cura", diz Michela.

A mastologista ressalta a importância das três perguntas da campanha da Femama:

  • Você já fez sua mamografia este ano? Se não, procure a unidade de saúde mais próxima e peça para fazer o exame de detecção precoce do câncer de mama. A lei nº 11.664 garante o direito a realizar a mamografia a partir dos 40 anos. Se ainda não tem idade para fazer, pergunte às mulheres que tu amas e leve-as para fazer!
  • Tens controlado teu peso?
  • Tens praticado atividade física?


"Sabemos que praticar atividade física regularmente, 30 minutos por dia, ou pelo menos quatro vezes por semana, estar com peso adequado para sua altura,  alimentar-se corretamente, com muitas frutas, verduras, nutrientes antioxidantes, assim como evitar refrigerantes, açúcares, alimentos embutidos e processados, não fumar e diminuir o consumo de álcool pode reduzir em até 30% o risco para ter câncer de mama e outros tumores. Vamos nos esforçar e fazer nossa parte para a prevenção, fazer os exames regularmente, ter uma vida saudável e consultar com o mastologista. Quanto antes melhor!", aconselha a doutora.

Viver com o diagnóstico

Foi por meio do autoexame que a porto-alegrense Cláudia da Silva Lague, 36 anos, percebeu que algo estava diferente com a mama esquerda, em 2019. Na época, a então funcionária da Panvel do Centro Clínico Mãe de Deus mantinha uma rotina entre o trabalho, a academia e os treinos de corrida. Veja o depoimento:

"Estava acima do peso, mas ao emagrecer, ficou evidente a mudança na mama esquerda. Primeiro, passei por um médico que não viu nada no exame clínico. Mas a aparência foi ficando pior, e procurei uma ginecologista que já me pediu vários exames. O resultado da biópsia apontou um linfonodo de axila comprometido. Com a confirmação da metástase, planejamos juntos um tratamento de radioterapia. Depois, iniciei um tratamento domiciliar, que faço há dois anos e tem uma resposta muito boa. A metástase está controlada. A opção foi por não operar o tumor, e sim fazer o controle com a medicação.

A corrida voltou para a minha rotina e tenho levado uma vida o mais normal possível. Estou aqui para mostrar que mesmo com o diagnóstico de câncer e mesmo sem um cenário de cura, devido à metástase, é preciso seguir em frente. Mantenho atividade física, estou finalizando a faculdade de Gestão Comercial, e esse ano me voluntariei no Imama, onde ajudo em tudo o que seja necessário, como apoio nas ações que realizam, nos eventos, panfletagens, etc. Gostaria de compartilhar com as pessoas que a gente precisa seguir em frente. A gente precisa encarar o problema, seja o diagnóstico de uma doença, ou qualquer outra, e tentar superar em cima disso. Eu quero mostrar que é possível a gente melhorar, que apesar de ter um câncer e não ter operado e não ter resolvido como tratamento. A gente consegue conviver com isso de maneira crônica e da melhor maneira. Fazer o que a gente gosta e se doar aos outros ajuda a passar por essa situação."

Claudia corre na maratona do Imama.

Se você está em Porto Alegre, também pode acompanhar a mobilização do Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (Imama RS).

Faça o autoexame, cuidar da sua saúde é uma forma de amor! Compartilhe esse conteúdo ente amigos e familiares! Caso tenha sintomas, procure um profissional da área da saúde!

2 comments on “Outubro Rosa: diagnóstico precoce do câncer de mama salva vidas”

  1. Parabéns Dra Michela! Texto claro, didático e com pontos importantes de alerta para a população feminina.
    Adorei a leitura porque é sempre bom lembrar da importância do diagnóstico precoce. Gostei muito do conceito de auto- conhecimento ao invés de auto exame.👏👏👏

    1. Olá, Sônia.

      Que ótimo que você gostou da nossa matéria, ficamos muito felizes 🙂

      Esse é assunto muito importante que deve ser tratado de maneira séria e também clara para que todas as pessoas fiquem bem informadas 😉

      Continue acompanhando nosso blog para ficar por dentro de assuntos relacionados a saúde, bem-estar e beleza!

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