Menopausa: conheça sintomas e tratamentos do período

por | 21 jun, 2021

7 min. de leitura

Até alguns anos atrás, ter acesso a uma matéria como esta seria algo raro, senão impossível. Isso porque, apesar de ser uma fase que será experimentada, em algum momento, por metade da população mundial, a menopausa não era comentada nem mesmo nos círculos mais íntimos. “A mulher que atravessava esse período sofria suas alterações calada, sob pena de ser tachada de fresca, histérica ou coisa pior”, explica a ginecologista Luiza Schvartzman, que criou o perfil Menopausa Importa para compartilhar informações sobre este período.

Felizmente, isso mudou, e hoje não só podemos como devemos falar abertamente sobre o período que marca a última menstruação da vida da mulher. No calendário, ela dura apenas alguns dias – justamente os da última menstruação. Na prática, porém, desde o período que a antecede (perimenopausa) até o pós-menopausa podem se passar mais de 10 anos marcados por uma série de modificações hormonais.

No Brasil, onde a expectativa de vida das mulheres é de 79,9 anos, a idade média da primeira menstruação, a menarca, é aos 12 anos. Já a idade média  da última menstruação é aos 51 anos, mas pode ocorrer antes mesmo dos 40 anos, em casos de falência ovariana precoce.

Contando os períodos de peri-menopausa, pós-menopausa e pós-menopausa tardia, é possível que a menopausa ocupe mais de um terço da vida da mulher. Por isso, é preciso paciência, disposição e, sobretudo, informação de fontes confiáveis para atravessar esse período no qual as alterações hormonais acabam por afetar,  muitas vezes, todos os âmbitos da vida.

“Gosto de explicar que o período da menopausa é a segunda adolescência da mulher, pois envolve alterações hormonais tão ou mais relevantes que a primeira, com consequências para as quais, por vezes, a mulher não se sente preparada”, explica Luiza Schvartzman.

Com a diminuição estrogênica do período da menopausa, a mulher fica mais vulnerável a doenças, sinais e sintomas como:

  • Aumento do risco cardiovascular
  • Alterações do humor e de memória
  • Fogachos, as ondas de calor típicas da menopausa
  • A massa óssea também sente o déficit estrogênico e muda a maneira como metaboliza o osso
  • Sinais e sintomas geniturinários, como atrofia da mucosa vaginal e alterações da micção

Fogachos: as ondas de calor

Eles são tão comuns nessa fase que precisamos falar um pouco mais só sobre eles. Os sintomas vasomotores (calorões e suores noturnos) são emblemáticos da menopausa por serem extremamente comuns – estudos mostram que eles são sentidos por cerca de 75% das mulheres nesta fase.

Os fogachos da menopausa ocorrem porque a baixa de estrogênio faz com que o centro termorregulador (localizado no cérebro) fique confuso, alterando os limiares para frio e calor. O efeito é sentido na forma de uma súbita sensação de calor associada a um mal-estar.

“A reposição de estrogênio é o tratamento comprovadamente eficaz. No caso das mulheres que não podem ou não desejam estrogênio, as terapias alternativas são feitas com medicamentos de ação central, que agem no cérebro e tentam corrigir essa distorção”, explica a doutora Luiza.

Menopausa, mulher com fogachos

Tratamentos

E por falar em tratamentos, a ginecologista explica que a decisão da melhor terapêutica deve ser conjunta: baseada na formação do médico que assiste e na informação da mulher assistida. “Não existe mágica e não existe um médico que sabe algo que nenhum outro descobriu. Existe estudo e paciência. A consulta deve ser completa, e por vezes, são necessárias duas ou três visitas ao consultório. São momentos de muita conversa e exames. A informação é essencial neste período”, afirma a especialista.

Ela alerta para o que define como a “falácia” dos chamados hormônios naturais e bioidênticos, pois não têm respaldo científico, ético ou legal. “Converse sempre com um especialista atualizado e adequado e desconfie de quem tem fórmulas mágicas”, orienta a especialista.

Para a atrofia  da mucosa vaginal e alterações da micção, a terapêutica hormonal (sistêmica e/ou tópica) é o melhor tratamento. Hidratantes e lubrificantes vaginais também têm seu espaço no tratamento e na manutenção do conforto vaginal e na melhora dos desconfortos nas relações sexuais

Cuidados com o corpo

Tratar a transição menopausal está longe de ser só prescrição hormonal! Os cuidados com o corpo, a alimentação e a atividade física são fundamentais, assim como a promoção do bem-estar, com atividades que tragam satisfação à paciente.

“Existem vários estudos que avaliam os benefícios da prática de  atividades físicas diversas nos períodos peri e pós-menopáusico. A yoga e a musculação são bastante estudados e comentados”, explica a doutora. Veja alguns dos benefícios destas modalidades:

  • Yoga: melhora a qualidade do sono e alguns estudos mostram tendência à melhora dos sintomas de humor, assim como a evidência de melhora de equilíbrio e de massa muscular.
  • Musculação: o treinamento de força com pesos ou utilizando o peso do próprio corpo tem sido estudada na avaliação de múltiplos fatores nos períodos peri e pós-menopáusicos. Há evidência científica quando se estuda o treino de força e melhoras de metabolismo, de massa óssea, diminuição de risco de quedas, diminuição de risco de doenças metabólicas e suas complicações.
Menopausa, mulher se exercitando

Cálcio e vitamina D

A melhor maneira de obtermos esses nutrientes, fundamentais para a manutenção da massa óssea e funcionamento músculo-esquelético, é por via dietética – principalmente o cálcio. A vitamina D pode ser obtida através da exposição solar adequada.

De acordo com a médica, a recomendação de suplementação ocorre apenas quando há a necessidade de suplementar o nutriente – a redundância, aqui, é proposital para reforçar o alerta. “Há muita gente por aí comprando e utilizando porque parece uma boa ideia. Já ouvi de pacientes que suas amigas recomendaram dizendo: ‘nunca é demais!’. Pois então: por vezes, é demais sim! Os excessos trazem prejuízos diversos”, afirma Luiza.

Além do cálcio e da Vitamina D, existem várias receitas informais que são ofertadas e passadas em rodas de amigas e até por alguns profissionais da saúde. Um exemplo são os fitoestrogênios, que têm apelo natural, mas, de acordo com a médica, não tem embasamento científico apropriado em sua prescrição: “É possível que algumas mulheres sintam melhora com o uso de alguns compostos botânicos relacionados. Isso se explica porque o efeito placebo pode melhorar até 40% ou 50% dos sintomas vasomotores, algo bem comprovado em estudos científicos”.

A ginecologista também alerta que ervas e chás podem ser utilizados neste período, mas compostos químicos inadequados em forma de comprimidos (manipulados ou não) devem ser avaliados com cautela.

Após um ano da última menstruação, a mulher que não está sendo submetida a qualquer terapêutica hormonal não deve sangrar. Se houver sangramento, uma visita ao ginecologista deve ocorrer para que se inicie a investigação das causas.

Aliás, não se assuste: as revisões periódicas e os exames preventivos são fundamentais nessa fase da vida. Por isso, procure um médico ginecologista que, além da boa formação, a deixe à vontade para perguntar e discutir opções terapêuticas, assim como rediscutir essas terapias sempre que for  necessário.

Dessa maneira, a menopausa pode ser um período mais tranquilo e com maior conforto e bem-estar!

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