Meditação: uma prática diária com benefícios comprovados pela ciência

por | 19 mar, 2021

8 min. de leitura

Uma prática milenar que nasceu no campo da espiritualidade e, nos últimos anos, tem tido seus benefícios cada vez mais reconhecidos pela ciência. A meditação é um caminho para melhorar a saúde e o bem-estar, evitar o estresse e a ansiedade e ajudar a focar no presente. Você já pensou em aderir?

Ainda que normalmente associada à sensação de tranquilidade e relaxamento, cientistas têm afirmado que a meditação também proporciona benefícios cognitivos e psicológicos. Adotar a prática durante oito semanas pode provocar mudanças positivas em regiões do cérebro relacionadas à memória, à empatia e ao estresse. As vantagens da meditação incluem ainda:

  • Desenvolvimento da habilidade de manter o foco
  • Ampliação das emoções positivas
  • Melhora na qualidade do sono
  • Controle da ansiedade
  • Desenvolvimento da inteligência emocional
  • Aumento da memória

Estes benefícios podem ser obtidos por meditantes de todas as idades, já que a prática é recomendada para todas as pessoas, em todas as faixas etárias, da infância à terceira idade.

Apesar de todo o respaldo da ciência, ainda existe muito misticismo em torno da meditação, afirma a facilitadora Luciana Pasini. “Temos de levar a meditação para o dia a dia, para a nossa rotina. Ela serve para aprender a observar suas emoções, observar o que você está sentindo. Por isso, também é uma ferramenta de autoconhecimento, porque você aprende a identificar os gatilhos que despertam essas emoções”, conta Luciana.

Meditação. Mulher medita no sofá

Vida transformada pela meditação

Um dos benefícios da meditação é proporcionar uma experiência de serenidade e de concentração e facilitar o desenvolvimento da autoestima e da autoconfiança. São sensações que Luciana descobriu na prática. Há seis anos, havia recém se mudado a Portugal para estudar joalheria. A temporada longe do marido e do filho e a mudança profissional à vista causavam insegurança e deixavam o coração apertado. Foi quando começou a ler um livro de meditação que havia comprado no Brasil pouco antes de embarcar à Europa. “Entre martelos, pratas e lixas, eu li muito nesse tempo que fiquei por lá. E como me sentia sozinha, comecei a fazer os exercícios do livro. Foi uma surpresa perceber que meditar me proporcionava uma calmaria e uma paz impressionantes”, lembra.

De volta ao Brasil, continuou meditando. O fascínio pelos benefícios da prática a levou a estudar a fundo e criar perfis nas redes sociais para compartilhar os aprendizados sobre o Mindfulness, um dos tipos de meditação. A iniciativa despretensiosa se tornou uma comunidade com mais de 160 mil seguidores no Instagram. Além disso, desenvolveu o método Meditação para ansiosos para quem deseja ser orientado na prática.

“Quando você aprende a reconhecer suas emoções por meio da meditação, exercitando todos os dias por 5, 10 ou 15 minutos, você consegue colher os benefícios: redução de estresse, redução de ansiedade, sensação de calmaria, sensação de paz e de equilíbrio”, comenta. Então, por onde começar?

Comece a meditar hoje mesmo

Luciana acredita que, assim como a atividade física, a meditação deve ser encarada como um treinamento a ser levado para o dia a dia. O mais importante é dar o primeiro passo. “Olhe para a sua rotina e veja em que brechinha você consegue encaixar a meditação de maneira que você consiga fazê-la todos os dias. Não tem problema se um dia for pela manhã, outro à tarde ou à noite. O horário ideal é aquele que você consegue praticar”, indica.

Veja as dicas de Luciana para começar a meditar:

  • Escolha um local e horário no qual não seja incomodado – e de preferência, silencioso.
  • Coloque um lembrete no celular e comece com pouco tempo, até se habituar e conseguir meditar por mais tempo.
  • Para quem nunca meditou, a dica é começar com um minuto por dia. Se você conseguiu durante uma semana, aumente o tempo para dois minutos na próxima, e assim por diante.
  • Escolha uma roupa confortável.
  • Sente-se num lugar confortável. Não precisa necessariamente ser no chão, de pernas cruzadas. Pode ser na cadeira, no sofá, na poltrona. Ainda que seja possível meditar em outras posições, ao permanecer sentado, com a coluna ereta – tanto em uma cadeira quanto no chão, com as pernas cruzadas – é mais fácil manter a mente alerta, o estado que ela deve permanecer durante toda a prática.
  • Entenda que a meditação não é relaxamento. Feche os olhos e fique atento. 
  • Observe seus pensamentos. Você não precisa ficar com a mente em branco, mas preste atenção na respiração e no que você está pensando.
  • Se parecer difícil nos primeiros dias, lembre-se que é uma questão de hábito. Se você continuar, vai se familiarizar com a prática e incorporá-la à rotina.

Algumas pessoas podem estar propensas a sentir sono, especialmente nas primeiras vezes que experimentarem a meditação. Nesse caso, uma atenção especial à postura (com a coluna ereta), à respiração e até à alimentação (evitando refeições mais pesadas antes da prática) podem ajudar na adaptação do organismo à nova atividade.

Aplicativos podem ajudar a prática

Para quem gosta de usar o celular para organizar a rotina, um aplicativo de meditação pode ser uma boa pedida para dar os primeiros passos na prática. Confira três opções com versões gratuitas bem avaliadas pelos usuários e disponíveis para Android e iPhone:

  • Lojong: Meditação e Mindfulness – Meditação para calma, ansiedade e estresse.
  • Insight Timer – Meditação para melhora do sono e da ansiedade.
  • Serenity – Meditações guiadas para mindfulness, sono e relaxamento

Recursos como aplicativos, fones de ouvido, música, mantras e incensos podem ajudar, mas não são obrigatórios. Se um ambiente aromatizado e uma música calma ou um mantra forem importantes para você entrar no clima da prática, são bem-vindos. Apenas tome cuidado para não se preocupar mais com os acessórios do que com o momento em si.

“A meditação é uma prática milenar. O homem sempre meditou, sem aplicativos. O objetivo da meditação é entrar em contato com você mesmo. Se você não estiver neste contato, você vai estar usando na verdade uma muleta”, pondera.

Além do mindfulness, um dos tipos mais populares, a meditação tem vertentes como a Vipassana, Zazen, Transcendental e Toísta.

Meditação. Mulher grávida medita

Em quanto tempo os resultados aparecem?

Preparada para dar os primeiros passos? Você já deve estar curiosa para saber em quanto tempo vai começar a colher os primeiros benefícios, não é? Uma rotina de meditação mantida por oito semanas já provoca os primeiros resultados. Luciana sustenta que, para fazer efeito, a prática tem de ser de pelo menos 10 minutos diários. E é possível que nem seja você o primeiro a notar os efeitos. “Geralmente, as pessoas que estão no nosso círculo de amizade ou a nossa família começam a perceber os efeitos antes da gente, porque começamos a reagir às situações de maneira diferente”, explica a facilitadora.

Se você é uma pessoa que se irrita ou estressa com facilidade, pode passar a responder às situações de outra maneira. “O convívio social começa a ser melhor e mais agradável e a gente começa a viver mais em paz mesmo, mais leve, mais focado e mais atento, prestando mais atenção em tudo aquilo que a gente está fazendo”, afirma Luciana.

Atenção a sintomas que não são emocionais

Apesar de todos os benefícios oferecidos pela meditação, Luciana recomenda não esperar que a prática traga todas as respostas. “Uma cura mágica não existe. A meditação só vai melhorar dores, por exemplo, se ela for proveniente de uma doença psicossomática, emocional, por conta de estresse que deixa, por exemplo, sua musculatura contraída. Nesse tipo de caso, você só deve partir para a meditação se você já descartou todas as possibilidades de que não se trate de um problema físico”, alerta.

Ficou com vontade de colocar a meditação em prática? Esperamos que nossas dicas tenham sido úteis e que a meditação possa lhe trazer mais bem-estar.

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