Imunidade infantil: confira nove dicas para aumentar a imunidade das crianças

por | 3 maio, 2021

7 min. de leitura

Termômetros em queda e preocupação em alta. Essa gangorra resume o sentimento dos pais que, nesta época do ano, se tornam ainda mais vigilantes com a saúde dos filhos. Afinal, a transição do outono para o inverno pode colocar à prova a imunidade das crianças. A infância é a fase na qual o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e, por isso, elas tendem a ficar doentes com mais frequência do que os adultos. A “maturidade imunológica” só vai se estabelecer perto da pré-adolescência.


O desenvolvimento dos anticorpos, mecanismos que protegem o corpo contra agentes estranhos, começa ainda na gestação, por meio da placenta. Depois, continua com o parto vaginal (pelo contato com os microrganismos da região) e pela amamentação. Mas um sistema imunológico saudável e forte não se conquista da noite para o dia, conforme explica a nutricionista Camila Mayer, especialista em nutrição escolar e infantil.

“É necessário ter hábitos saudáveis frequentemente, pois nunca sabemos quando iremos precisar combater algum agente infeccioso. Temos de cuidar da nossa saúde e da saúde das crianças para o resto da vida”, afirma a nutri.

E esse cuidado abrange alguns itens fundamentais para proporcionar um sistema imunológico adequado para as crianças:

  • Priorizar o aleitamento materno: a recomendação é que ele seja exclusivo até o sexto mês de vida, pois os anticorpos da mãe são transmitidos ao bebê através do leite. A partir dos seis meses, pode ser intercalado com outros alimentos.
  • Dar todas as vacinas: é a maneira mais segura para tornar o organismo imune a diversas doenças, por isso fique atento à cartilha e ao calendário de vacinação.
  • Estimular atividades ao ar livre: a exposição a diversos microrganismos presentes no ar, na grama, na terra, nas folhas, nos animais e em diferentes ambientes ajudam o corpo a desenvolver anticorpos e a adquirir resposta imunológica mais rapidamente.
  • Promover atividade física: brincar, correr, pular e dançar não servem apenas para gastar energia. A atividade física reforça a saúde como um todo, pois aumenta as células de defesa do organismo, além de auxiliar no desenvolvimento da musculatura e ossos, na redução de peso corporal e de colesterol, aumentar o apetite e melhorar o sono.
  • Zelar pelo sono das crianças: dormir pouco faz nosso corpo liberar em excesso o cortisol, que é o hormônio do estresse, prejudicando nossa imunidade. O corpo dos pequenos precisa de um sono de qualidade para descansar e se recuperar.
  • Programar um banho de sol diário: o astro rei auxilia na síntese da vitamina D, que é de extrema importância para a imunidade. A recomendação é tomar sol por pelo menos 15 minutos, todos os dias.
  • Ficar atento à higiene: lavar constantemente as mãos é um dos requisitos para evitar a transmissão de doenças. Cuidado, porém, para não colocar os pequenos em uma bolha, pois eles precisam construir suas próprias defesas.
  • Não descuidar da saúde emocional: além de todos os cuidados físicos, é importante que a criança tenha tranquilidade, evite o estresse, sinta-se acolhida e compreendida e precisa aprender a lidar com suas emoções. Isso porque situações de medo, estresse e abandono favorecem a liberação de cortisol no organismo,  prejudicando o sistema imunológico infantil.
  • Proteja os microrganismos intestinais: a mucosa intestinal é um local com uma grande quantidade de células imunes do nosso corpo. Por isso, a saúde intestinal está diretamente relacionada à imunidade. As crianças devem tomar antibióticos apenas quando for necessário, e com recomendação médica. Além de matar as bactérias ruins, os antibióticos matam também as boas, fragilizando a imunidade. A ingestão de probióticos e prebióticos podem trazer muitos benefícios.
Imunidade Infantil, menino brinca

Alimentação como vetor da imunidade

Assim como em qualquer faixa etária, o funcionamento do sistema imunológico infantil está diretamente associado à alimentação. O organismo precisa de diferentes nutrientes para manter o bom funcionamento do corpo e dos anticorpos. O consumo de água deve ser estimulado, evitando substituir por bebidas açucaradas, pois o nosso corpo necessita de água pura para exercer suas funções.

“A criança precisa de uma alimentação saudável e equilibrada, com alimentos variados e coloridos, com o mínimo de produtos industrializados e ultraprocessados, ricos em sódio, gordura e açúcar. Tudo o que ela come pode auxiliar ou prejudicar o sistema imune“, explica Camila.

Veja a lista da nutri de alimentos que são fontes de nutrientes importantes para o bom funcionamento do sistema imunológico:

  • Vitamina C: o camu-camu é uma fruta nativa da Amazônia que possui maior teor de vitamina C, seguida pela acerola que também ganha destaque. A vitamina também está presente em diferentes alimentos como caju, pimentão, goiaba, limão, laranja, couve, bergamota, açaí, kiwi, manga, morango, brócolis, mamão, abacaxi.
  • Vitaminas do complexo B: geralmente encontradas nos alimentos como carnes, ovos, peixes, frutos do mar, cereais integrais, leguminosas, leites e derivados, vegetais de coloração verde escuro.
  • Vitamina D: presente em alguns peixes como salmão, sardinha e atum, óleo de fígado de bacalhau, ovos, leite e derivados fortificados.
  • Selênio: o destaque está na castanha do brasil, que contém grande teor de selênio, porém também está presente em menor quantidade na gema do ovo, nas sementes de girassol, pescados, gergelim e cereais.
  • Zinco: encontrado em ostras, carnes vermelhas, semente de abóbora, semente de linhaça, amendoim, castanhas, nozes, amêndoa, feijão, pescados e frutos do mar, cereais integrais, ovos, leites e derivados.
  • Ferro: presente em carnes, ovos, vegetais de coloração verde escuros, feijões e outros legumes.
Imunidade infantil, menina come maçã

Lanches que reforçam a imunidade

Em busca de dicas específicas para cada refeição? Nos primeiros 12 meses de vida, o leite materno e as frutas serão sempre a melhor opção. Após o primeiro aninho, pode-se inserir no cardápio uma fonte de carboidrato como bolo, pão, biscoitos feitos em casa e sem adição de qualquer tipo de açúcar (mascavo, mel, demerara, branco, adoçante), sempre respeitando a fome da criança.

Dica: para adoçar os alimentos você pode misturá-los com banana madura, maçã, pêra, ameixa seca, uvas passas, tâmaras ou damascos – sempre em pequena quantidade para não acostumar o paladar da criança com o sabor doce.

Para os maiores de dois anos, o ideal é que o café da manhã e os lanches tenham uma fruta, uma fonte de carboidrato e uma fonte de proteína, pode ser ovos, leites e derivados, ou opções com proteína vegetal.  Veja as dicas da nutri Camila:

  •   Acrescente linhaça, chia, gergelim, semente de abóbora, semente de girassol, castanhas, nozes e amêndoas em preparações, saladas, nas frutas e nos sucos sementes e oleaginosas. Para as crianças menores, estas oleaginosas podem ser oferecidas trituradas.

●       Vá além da farinha de trigo ao preparar bolos, pães e biscoitos: experimente receitas como aveia, amaranto, quinoa, farinha de arroz, farinha de milho e farinhas de oleaginosas.

Almoço e jantar para estimular os anticorpos

As principais refeições do dia devem ter uma opção de cereal e/ou tubérculo (arroz, macarrão, aipim, milho, batata doce, polenta ou batata), uma opção de leguminosa (feijão, lentilha, ervilha ou grão de bico), duas opções ou mais de hortaliças e uma opção de proteína (carnes e ovos). Crianças com dieta vegetariana devem consumir uma porção a mais de leguminosas.

“Os nutrientes que mencionamos aqui são importantes, mas lembre-se que precisamos de todos eles para nosso corpo funcionar adequadamente. O segredo está no equilíbrio”, afirma a Camila Mayer.

Anotou todas as dicas? Repare quais delas você já pratica com seus filhos e tente adotar as que ainda estão faltando para que as crianças cresçam fortes e saudáveis!

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