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Gestantes e Covid-19: veja as recomendações para evitar infecção pelo vírus

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27/05/2021
6 min. de leitura

A lista de recomendações e cuidados para as gestantes, que já era grande, aumentou um pouco mais desde o ano passado. Se a pandemia impôs novos protocolos à toda a população, ela exige que as grávidas sejam um dos grupos em maior alerta. Afinal, diferentes estudos divulgados neste ano alertam para os perigos adicionais da Covid-19 tanto para elas quanto para os bebês.

Durante a gestação, o corpo passa por importantes adaptações para garantir uma nutrição e oxigenação adequadas para o feto. Por isso, grávidas contaminadas por Covid-19 apresentam maior risco de desenvolver infecções respiratórias agudas, com necessidade de internação hospitalar e em centros de terapia intensiva (UTIs), explica a ginecologista e obstetra Maria Fernanda Amorim Pellicioli. "Este risco aumenta substancialmente quando esta condição se sobrepõe a comorbidades já existentes, como diabetes, hipertensão e obesidade", complementa a médica.

Ainda que o momento seja cercado de expectativa e de vontade de compartilhar as novidades com familiares e amigos, o protocolo da gravidez em tempos de coronavírus exige isolamento.

Vejas as recomendações da doutora Maria Fernanda:

  • Tente otimizar compromissos (como fazer os exames da rotina no mesmo dia da consulta) para sair de casa o menos possível
  • Use máscara sempre que for necessário sair à rua
  • Realize a higiene rigorosa das mãos

O isolamento para as gestantes é tão necessário que desde o dia 13 de maio está em vigor a Lei 14.151, que garante regime de teletrabalho às trabalhadoras grávidas, enquanto durar a pandemia. "Esta lei orienta o home office, ou afastamento quando essa modalidade não é possível. Isso acaba diminuindo sua necessidade de sair de casa e aumenta a proteção. A gestação é um momento de bastante fragilidade e as mulheres gostam de compartilhar esta etapa com a família, amigos, fazer sessões de fotos, chás de fralda ou de revelação. Porém, em tempos de pandemia, é importante evitar estas situações", explica a médica.

O que fazer quando a gestante é infectada pelo coronavírus?

Mesmo seguindo as recomendações, as gestantes podem estar suscetíveis a contrair a Covid-19. Nesse caso, o tratamento, assim como na população geral, depende da evolução do quadro e dos sintomas por ela apresentados.

"De cada três gestantes, duas desenvolvem sintomas leves ou ficam assintomáticas. Nestas, o tratamento é com medicações para alívio dos sintomas. É fundamental que as pacientes permaneçam em isolamento, com controle rigoroso da saturação de oxigênio/temperatura e atenção para sinais de alerta. O acompanhamento durante este período é importante e pode ser feito online, pelo clínico ou obstetra responsável pelo pré-natal, e sempre buscando um serviço de emergência em caso de piora dos sintomas",  recomenda Maria Fernanda.

Embora a maioria das gestantes fique muito ansiosa para fazer uma avaliação fetal no período do isolamento, em casos leves ou assintomáticos de coronavírus, a ecografia está recomendada somente após o período de isolamento.

A evolução da Covid-19 em gestantes vai depender da resposta de cada paciente, de sua condição clínica e da existência ou não de comorbidades preexistentes. Os cuidados com a mãe e o feto também estão relacionados com a análise dos sinais e dos sintomas e do período gestacional. Como a maioria dos quadros é de casos leves ou assintomáticos, a gestação segue seu curso habitual após o período de isolamento.

Mulher grávida em consulta médica

Como é o parto para gestantes com Covid-19?

Entre as gestantes que contraem o coronavírus, as que estão mais perto de dar à luz se preocupam em como será o momento do parto. As infecções por Covid-19 em gestantes aumentam os riscos de parto prematuro e cesarianas de urgência, mas é possível que essas intervenções não sejam necessárias.

Em grávidas com casos leves e assintomáticos de coronavírus, mesmo em pacientes com gestação a termo (período no qual o bebê está pronto para nascer), é possível aguardar o período de isolamento e a promoção do nascimento segue seu curso natural, sempre que não houver nenhuma outra indicação para a antecipação do parto.

Já em gestantes com quadros moderados ou graves de Covid-19, o momento de interrupção da gestação é analisado caso a caso pela equipe clínica e obstétrica, observando sinais de agravamento na mãe ou no bebê. "A via de parto depende da evolução do quadro. A infecção por Covid-19 não significa, necessariamente, uma indicação de que a cesariana é necessária. Quando há necessidade de interromper a gestação devido à doença ativa, o parto ou a cesariana ocorrem em um ambiente adequado, observando todos os cuidados de proteção da equipe, da paciente e do feto", afirma a ginecologista e obstetra.

Assim como em outras infecções que comprometem o organismo da gestante, a infecção por Covid-19 apresenta riscos ao bebê. Nos casos de infecção com evolução moderada a grave, é importante que haja uma monitorização rigorosa do bem-estar fetal, atentando para algum sinal de alerta que indique a interrupção da gestação.

Gestantes devem se vacinar contra a Covid-19?

Embora ainda não existam estudos que assegurem o uso da imunização para grávidas, várias entidades nacionais e internacionais entendem que os benefícios da vacina contra a Covid-19 para gestantes tendem a superar os riscos trazidos pela infecção.

Num primeiro momento, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação para gestantes e puérperas com comorbidades, independentemente da idade materna ou do tempo de gestação, desde que esse seja o desejo da paciente. No Brasil, as vacinas da CoronaVac e Pfizer estão autorizadas para aplicação neste grupo.

Mulher grávida tomando vacina

Mães com Covid-19 podem amamentar seus bebês?

As pesquisas científicas disponíveis até o momento não indicam que possa haver transmissão de Covid-19 pelo leite materno. Por isso, a recomendação da Organização Mundial de Saúde, do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria é manter o aleitamento materno desde a sala de parto, no alojamento conjunto e na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (UTIN) - ou seja, em todos os setores da maternidade.

A amamentação pode ser mantida mesmo após a alta hospitalar. A mãe suspeita ou com diagnóstico de Covid-19 pode amamentar se tiver bom estado geral, tomando alguns cuidados higiênicos e seguindo as recomendações:

  • Usar máscara que cubra completamente nariz e boca durante as mamadas e evitar falar ou tossir durante a amamentação
  • Trocar imediatamente a máscara em caso de tosse ou espirro ou a cada nova mamada
  • Lavar com frequência as mãos com água e sabão por pelo menos 20 segundos, antes de tocar o bebê ou antes de retirar o leite materno (extração manual ou na bomba extratora)
  • Se não for possível lavar as mãos, higienizá-las com álcool em gel 70%

Agora que você já viu como a gravidez precisa de cuidados especiais durante a pandemia, evite sair de casa e siga todas as recomendações. Aproveite a consulta com seu médico ou obstetra para tirar qualquer dúvida que tenha sobre o assunto. Assim, há mais chances de a Covid-19 passar bem longe de você e do seu bebê! 

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