Fertilidade feminina: entenda as principais dúvidas e fatores que podem influenciar no desejo de ser mãe

por | 10 jun, 2021

9 min. de leitura

Ser mãe é o desejo de inúmeras mulheres, a realização de um sonho para muitos casais. No entanto, muitas vezes, o relógio biológico não atende ao momento em que a mulher está preparada para ter um filho. São inúmeros os fatores que podem fazer com que um casal adie esse sonho. Os estudos, a realização profissional e a estabilidade financeira são alguns exemplos, e esses processos podem levar tempo.

Porém, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (Sbra), a idade é um fator determinante para a fertilidade tanto do homem quanto da mulher, uma vez que, ao longo da vida, os óvulos envelhecem e a produção de espermatozoides perde qualidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a infertilidade afeta de 50 a 80 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, a estimativa é de que aproximadamente 9 milhões de pessoas tendem a ser inférteis.

Fertilidade, infertilidade e esterilidade

Presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers), o médico ginecologista e obstetra Carlos Isaia Filho explica que a infertilidade é caracterizada pela incapacidade que a mulher possui de engravidar, diferentemente da esterilidade, que é identificada quando a mulher chega a engravidar, contudo, não consegue levar a gestação até o final.

“Nós temos pessoas que são classificadas como super férteis, que tem uma capacidade fertilizante muito alta; existem indivíduos que são férteis, que tem uma capacidade normal de fertilidade; os inférteis, que tem uma capacidade de fertilidade reduzida; e, por último, indivíduos estéreis, nos quais não têm condições de terem filhos”.

A gravidez é resultado da soma da fertilidade do homem e da mulher, ou seja, os casais que são super férteis, ou apenas férteis, possuem maiores chances de terem um filho. Por outro lado, quando há um indivíduo infértil e outro fértil, ou ambos inférteis, surgem obstáculos para que o casal consiga consumar a gravidez, esclarece o ginecologista especialista em reprodução humana.

Para muitos casais, a infertilidade é uma questão que gera muitas dúvidas. Entre elas, saber quando a mulher ou o casal é portador de infertilidade. Segundo Isaia Filho, considera-se infertilidade conjugal quando um casal mantém ao longo de um ano relações sexuais frequentes, sem o uso de métodos contraceptivos (preservativos e anticoncepcionais), mas, ainda assim, a gravidez não acontece.

Fertilidade feminina, casal feliz com resultado do teste de gravidez

Diminuição da fertilidade nas mulheres

“Há cerca de 50 anos nós dizíamos que 15% dos casais teriam problemas para engravidar. Hoje, isso chega em torno de 30 a 35%”, relata o ginecologista e obstetra. Ele ainda explica que o que levou a aumentar a porcentagem de casais com problemas para terem filhos envolve diversos fatores, entres eles: “primeiro, os fatores ambientais, onde somos bombardeados diariamente na alimentação, no meio ambiente, dentre outros. Segundo, as mulheres estão optando por querer engravidar mais tarde. Isso porque a mulher atualmente tem um modo de vida em que ela prioriza outras questões, e, por isso, deixam para gestar após os 30 anos”, explica.

De acordo com Isaia Filho, a fertilidade na mulher começa a decair após os 35 anos. “Uma mulher com 35 anos não tem o mesmo potencial de fertilidade de uma mulher com 25 anos. Nós não pudemos fugir disso. A questão da idade no homem não é tão aparente como ocorre entre as mulheres. Nós ainda não temos nenhum dado palpável dizendo que a fertilidade no homem após uma certa idade decai”.

A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida diz que isso ocorre porque a reserva ovariana da mulher vai diminuindo ao longo dos anos, bem como a qualidade dos óvulos. Além disso, o endométrio fica mais fino, o que dificulta a implantação do embrião, e os ciclos menstruais ficam mais irregulares e curtos, prejudicando a fertilização.

Além da idade, outros fatores podem prejudicar a fertilidade da mulher. Uma das patologias mais comuns entre as mulheres, a endometriose é a principal causa de infertilidade feminina. A endometriose, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), afeta aproximadamente 10% das mulheres brasileiras, e ocorre quase que exclusivamente em mulheres em idade reprodutiva, dos 25 aos 35 anos.

A patologia representa 40% das causas de infertilidade feminina que, segundo o presidente do Cremers, por ser considerada uma doença progressiva, vai piorando com o passar dos anos, causando dificuldade para engravidar.

No entanto, a endometriose não é a única causa que apresenta riscos de infertilidade. O médico ginecologista e obstetra conta que outras doenças ginecológicas podem causar infertilidade, sobretudo as inflamações nas trompas, que representam 30% das causas de infertilidade feminina.

“Nós temos aspectos infecciosos, muitas vezes confundidos com infecções urinárias, e uma infecção pélvica pode levar a danos nas trompas. Isso faz com que a capacidade das trompas decaia, podendo ocorrer infertilidade”, explica. E completa: “Existem outras questões de ovulação e outras causas que ocorrem, mas, hoje, as duas grandes causas de infertilidade na mulher estão relacionadas à endometriose e aos problemas de infecções nas trompas”.

Mas, afinal, é possível uma mulher com endometriose engravidar?

Para Isaia Filho a endometriose é a mais enigmática das doenças ginecológicas. Ele conta que não há doença na área que venha sendo tão pesquisada nos últimos 20 anos como está sendo a endometriose. “Nós ainda não sabemos qual é a causa, como ela [endometriose] se instala. Existem teorias que mostram como acontecem, mas nenhuma explica corretamente. Por isso, ainda não existe um tratamento específico e eficaz para essa doença. É possível apenas controlar e diminuir”.

Entretanto, apesar de estar associada a maior causa de infertilidade entre as mulheres, ele revela que não é possível afirmar que a patologia irá causar categoricamente dificuldades para engravidar, uma vez que existem casos de endometriose grave em que mulheres tiveram filhos, outros de endometriose leve em que não foi possível obter uma gravidez.

Menopausa e infertilidade

O médico ginecologista explica que a menopausa é um evento que ocorre na vida da mulher, no qual acontece a última menstruação. A partir desse momento, a mulher vive um período de transição da fase reprodutiva para a não-reprodutiva, conhecido como climatério.

“Isso acontece porque, quando ocorre a primeira menstruação, existe determinado número de folículos (unidade do ovário que produz óvulos). Todos os meses a mulher ovula e os folículos são gastos. Com isso, chega um momento em que esses folículos acabam, ou seja, a mulher não ovula mais e, consequentemente, ela deixa de menstruar. Assim, surge o período denominado pós-menopausa”.

Nessa fase da vida, não é possível que a mulher engravide naturalmente. O médico ginecologista e obstetra esclarece, no entanto, que as mulheres que estão no climatério e desejam gerar um filho podem procurar serviços de fertilização assistida. Porém, para realizar o procedimento, inúmeros fatores são levados em consideração, como a saúde do útero da paciente, que deve estar livre de patologias uterinas. Além disso, visando a segurança e a saúde da paciente, é necessário verificar se não há nenhuma comorbidade, como diabetes e hipertensão, para ter condições de levar a gravidez adiante.

O que fazer para aumentar a fertilidade

Para aumentar a fertilidade e, assim, as chances de engravidar, é preciso que a mulher tenha hábitos de vida saudáveis, como ter uma alimentação adequada e balanceada, praticar atividades físicas e abandonar vícios prejudiciais à saúde, como o cigarro e a bebida alcoólica.  “Vida saudável, muito exercício físico, mente sã e usar o mínimo possível de medicações hormonais são fatores que fazem com que haja um melhor aprimoramento e melhores condições de todo o sistema hormonal e reprodutivo”, sugere Isaia Filho.

Idade ideal para engravidar, existe?

De acordo com Isaia Filho, não existe idade ideal para engravidar. No entanto, ele pondera afirmando que a idade ideal para engravidar é antes dos 35 anos, uma vez que, a partir dessa idade, a fertilidade da mulher naturalmente começa a decair. Ele explica que a qualidade dos óvulos não é tão boa, podendo dificultar um pouco a ovulação e a gestação. Além disso, problemas hormonais, uma deficiência que faz com que a mulher tenha uma taxa de perda gestacional ou aborto espontâneo podem ocorrer.

“Quanto mais cedo uma mulher engravidar, desde que seja uma gravidez bem planejada, bem desejada, essa é a data ideal, a idade ideal”, ressalta.

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Quando procurar um profissional para realizar tratamento?

Quando é perceptível a dificuldade de engravidar, após um ano de relações sexuais sem métodos contraceptivos, é necessário realizar uma avaliação feita por um profissional especializado para verificar as possíveis causas e indicar o tratamento adequado.

Segundo o presidente do Cremers, o ginecologista é o profissional que pode orientar, examinar e tratar se necessário a mulher. Por outro lado, ele aponta que existem os profissionais ginecologistas que são especializados nas questões reprodutivas, que podem realizar todos os procedimentos investigatórios para que se possa descobrir a causa, e, assim, poder tratar adequadamente a condição e conseguir atingir o principal objetivo: a gestação. “Na infertilidade o único resultado que o profissional espera, que busca constantemente, é a gravidez e o bebê nascido”, conclui.

Além do setor privado, o serviço de reprodução humana também é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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Fonte: Infohealth

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