DIU: saiba tudo sobre um dos métodos anticonceptivos mais seguros

por | 17 mar, 2021

7 min. de leitura


O nome completo é Dispositivo Intrauterino, mas provavelmente você o conhece apenas pelas iniciais: DIU. Estamos falando de um dos métodos mais seguros para evitar a gravidez e que tem sido adotado por cada vez mais mulheres no Brasil.

Com 99% de eficácia, o DIU é um pequeno dispositivo em forma de T inserido no útero que tem ação duradoura e eficaz. Sua ação muda a forma em que o esperma se move, fazendo com que não possa chegar ao útero.

Apesar do aumento da procura nos últimos anos, a porcentagem de mulheres brasileiras que optam por esse tipo de contraceptivo ainda é baixa, próxima dos 3%.

“A grande diferença dos DIUs em relação aos outros métodos contraceptivos é que não dependem do hábito da usuária de lembrar de usar para manter sua eficácia contraceptiva. Por ser um método contraceptivo de longa ação, eles têm eficácia superior e a duração deles é maior”, explica a ginecologista Rebeca Miotto. Uma vez colocado, o DIU protege contra a gravidez por um período entre 5 e 10 anos, a depender do modelo escolhido.

A diferença entre o DIU e o SIU

Além do DIU, o Sistema Intrauterino (SIU) também tem ação eficaz e prolongada. Ele se diferencia do DIU convencional (de cobre ou de cobre e prata) por liberar hormônios no organismo – por isso é popularmente conhecido como DIU hormonal. Saiba mais sobre as diferenças entre eles:

  • SIU: também chamado de “DIU hormonal“, o SIU tem um pequeno reservatório para armazenar o hormônio, que vai sendo liberado de maneira gradual no organismo por até cinco anos. A dose hormonal é consideravelmente mais baixa do que os anticoncepcionais de uso oral. Sua ação é apenas local e não tende a afetar o ciclo hormonal natural do organismo. Há dois modelos de SIU disponíveis: Kyleena e Mirena.
  • DIU de cobre: foi o primeiro DIU a ser desenvolvido e não libera nenhum hormônio no organismo. Ao invés disso, libera íons de cobre para imobilizar os espermatozóides. Pode ter duração de até 10 anos no organismo. Nos primeiros meses, é possível que haja aumento do fluxo menstrual e das cólicas.
  • DIU de cobre e prata: também conhecido como DIU de prata, é composto por ambos os materiais com o objetivo extra de reduzir o aumento do fluxo menstrual e as cólicas que podem ser associadas ao uso do DIU de cobre –  um efeito que ainda não foi comprovado por estudos científicos. A duração máxima é de cinco anos.

Quem pode usar o DIU?

O dispositivo intrauterino pode ser usado por qualquer paciente após a primeira menstruação. A exceção são mulheres com má-formação uterina, alguma deformidade na cavidade uterina ou sangramento uterino anormal de causa desconhecida, explica a doutora Rebeca.

Antes de ser colocado, a paciente realiza exames para garantir que os órgãos reprodutivos estejam saudáveis e que não tenha nenhuma Doença Sexualmente Transmissível (DST). Por falar em DST, o DIU não protege contra elas. Por isso, a importância de continuar se protegendo contra elas mesmo após aderir a esse método contraceptivo.

“O DIU tem poucas desvantagens. Algumas delas são que o DIU não hormonal pode aumentar cólicas e sangramento vaginal. E nenhum dos dois tipos, seja hormonal ou de cobre, ajudam a controlar questões da pele, como oleosidade e acne, ou nos sintomas de pacientes que têm TPM”, diz a ginecologista.

Mitos e verdades sobre o uso do DIU

Um dos principais motivos para a baixa adesão das brasileiras ao DIU são mitos associados ao seu uso. Vamos falar sobre alguns deles?

  • O DIU só pode ser usado por quem já engravidou: falso! O DIU pode ser usado por todas as mulheres, incluindo as que não têm filhos.
  • O DIU é um método abortivo: falso! O dispositivo age antes da fecundação, por isso, não é um método abortivo.
  • O DIU provoca ganho de peso: falso! O uso do DIU não tem nenhuma relação com perda ou ganho de peso.
  • O DIU provoca aumento nas cólicas: depende! O DIU de cobre pode aumentar cólicas e sangramento menstrual. O SIU (DIU hormonal), não.
  • O DIU provoca mais cravos e espinhas: depende! O SIU (DIU hormonal) pode aumentar a oleosidade da pele no início do uso.
  • O DIU atrapalha as relações sexuais: falso! Assim como não interfere na relação, o DIU também não diminui o prazer da mulher.
  • O DIU não pode ser usado por quem tem alguma doença crônica: falso. Mulheres com diabetes, câncer de mama ou doença cardíaca valvular, por exemplo, podem usar o DIU, sempre de acordo com a orientação de seu médico.
  • O DIU provoca infertilidade: falso. Mulheres que usam o DIU e desejam engravidar devem apenas procurar seu médico para fazer a retirada do dispositivo.
  • Se a mulher que usa DIU engravidar, o bebê nascerá segurando o dispositivo: falso. Ainda que nenhum método contraceptivo ofereça 100% de proteção, o DIU e o SIU são altamente eficazes, o que torna a própria gravidez bastante improvável. Apesar de algumas imagens circularem na internet mostrando bebês que teriam nascido segurando o DIU da mãe, especialistas põem em dúvida a veracidade do fato. A explicação é que, anatomicamente, o contato entre o feto e o DIU não ocorre. Para que a mão do bebê alcance o DIU, algo fora do comum, como o rompimento de parte da placenta, teria de ocorrer.

Como é colocado o DIU?

No Sistema Único de Saúde, o DIU é colocado por um médico de família ou enfermeira capacitada. Quem utiliza plano de saúde pode colocar o DIU no consultório do ginecologista. Algumas mulheres têm dúvidas sobre em qual fase do ciclo menstrual realizar a colocação. A inserção do DIU pode ser feita a qualquer momento, mas um dos mais indicados é o período menstrual, pois são dias nos quais o colo do útero está mais macio. É indicado permanecer em repouso no dia da colocação do DIU, evitando realizar esforços ou manter relações sexuais.

Dói para colocar o DIU?

Algumas mulheres podem sentir cólicas desconfortáveis durante o procedimento, que demora entre 15 e 30 minutos. Por isso, o médico pode orientar a ingestão de um analgésico antes da colocação. A aplicação de anestesia é possível, mas não é comum. “A colocação do DIU pode ser feita no bloco cirúrgico, com anestesia, mas isso é mais reservado para pacientes que tentaram colocar o DIU no consultório e não toleraram. São casos bem específicos que devem ser avaliados individualmente”, explica a ginecologista Rebeca.

E se eu quiser engravidar?

Depois de colocado o DIU, a mulher estará protegida de uma gravidez não desejada por um período de até 10 anos, a depender do tipo de dispositivo escolhido. Caso mude de ideia e deseje engravidar nesse período, é preciso retirar o DIU.

Após a retirada do DIU, o anticoncepcional deixa de fazer efeito imediatamente. Na consulta com o médico, porém, o especialista pode recomendar que se espere alguns meses entre a retirada e a gravidez.

Tirou suas dúvidas sobre o DIU? Se ainda se sentir insegura, converse com seu ginecologista para escolher o método contraceptivo mais adequado ao seu estilo de vida.

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