Dia Mundial da Asma: os cuidados com a doença durante a pandemia

por | 4 maio, 2021

6 min. de leitura

Às vésperas da chegada definitiva do frio, aumentam os cuidados com as doenças das vias respiratórias. E uma das mais comuns é a asma, que inflama e reduz os tubos que levam o ar para dentro e para fora dos pulmões – sintomas que tendem a se agravar com as temperaturas mais baixas.

A cada primeira terça-feira de maio, o Dia Mundial da Asma conscientiza sobre o controle da doença, assim como a importância do tratamento das crises. Realizada desde 1998, a campanha ganha ainda mais relevância durante a pandemia de Covid-19, pois a recomendação da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) é de que os portadores de asma – especialmente das formas mais graves – façam isolamento social sempre que possível.


“No Brasil, a asma não foi considerada grupo de risco para a Covid-19. Já o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos incluiu a asma moderada e grave dentro do grupo de risco para o vírus, o que nos indica que é preciso ter atenção especial”, explica a pneumologista Julia Duek, que faz postagens esclarecedoras sobre a asma no Instagram.

Você sabe o que é a asma?

Doença crônica que afeta as vias respiratórias, a asma se manifesta quando o paciente entra em contato com substâncias que lhe causam alergia ou irritação. Entre os principais desencadeadores da asma, estão:

  • Ácaros e poeira
  • Poluição
  • Pólen
  • Pelos de animais
  • Fumaça de cigarro
  • Partículas de insetos
  • Substâncias químicas como tintas, desinfetantes e produtos de limpeza

Ao tomar contato com estas substâncias, as vias respiratórias reagem, estreitando-se e fazendo com que o pulmão receba menos ar. É quando se manifestam sintomas como:

  • Chiado na respiração
  • Tosse, especialmente nas primeiras horas da manhã ou à noite
  • Pressão no peito
  • Dificuldade de respirar
Dia Mundial da Asma, mulher usando medicação de resgate

Sintomas semelhantes aos da Covid-19

Uma das características da asma é que nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas – e tê-los não significa, necessariamente, que você tenha asma. Em um momento de pandemia, a atenção deve ser redobrada, pois os sinais da doença,  em muitos casos, são os mesmos do coronavírus.

“O paciente que está em crise de asma pode apresentar sintomas iguais aos do quadro inicial de Covid-19. Por isso, vale o alerta: uma crise de asma que em casa não melhora, é mais um motivo para procurar o hospital e averiguar se não se trata de coronavírus. Por isso os pacientes com asma estão sendo orientados a fazer o teste da Covid, para excluir essa possibilidade”, explica a doutora Julia.

Autoconhecimento melhora o tratamento

Após o reconhecimento da doença, realizado por um médico pneumologista com base em exames e no histórico do paciente, é preciso dar início ao tratamento, que vai considerar o nível da doença. A maior parte dos casos é diagnosticada como intermitente e persistente leve, enquanto a asma moderada atinge entre 25% e 30% dos pacientes e a asma grave, de 5% a 10% deles.

“O tratamento é muito individualizado, pois cada pessoa com asma tem uma resposta diferente ao fator que gera a crise nele. É fundamental o autoconhecimento do paciente quanto ao seu ambiente, para reconhecer o agente que lhe provoca a asma”, afirma Julia.

“O paciente com asma moderada a grave tem de estar mais atento e fazer um acompanhamento minucioso da doença, com retorno assíduo ao médico. Ele conta com medicações atualizadas, com estudos recentes. São tratamentos específicos que vão além da bombinha e fazem a diferença nesses casos, mas ele tem de fazer a sua parte e ajudar o médico a ajudá-lo”, complementa.

Em todos os casos, porém, a pneumologista considera importante o tripé de tratamento, composto por:

  • Uso correto da medicação de manutenção (do dia a dia)
  • Ter a medicação de resgate sempre ao alcance para os casos de crise
  • Observar sempre o ambiente para perceber se pode haver algum fator alérgeno desencadeador de crise asmática

“Também estimulamos o paciente a ter uma vida saudável, com alimentação equilibrada, atividade física e hidratação adequada. A observação do ambiente é essencial para reconhecer, no dia a dia dele, o que pode piorar sua asma, pois cada paciente responde de forma diferente a diversas substâncias, e ele precisa saber qual é”, diz a médica.

Crise de asma

O autoconhecimento proposto pela médica pode ajudar a diminuir as crises de asma. Mas, se ela já tiver se manifestado, é preciso agir rápido. O primeiro passo, de acordo com a pneumologista, é manter a calma, pois a ansiedade tende a aumentar a sensação de falta de ar. Em seguida:

  • Use a medicação de resgate (a bombinha) prescrita pelo médico
  • Faça a inalação com soro fisiológico conforme a orientação médica
  • Adiante uma dose da medicação de manutenção (do dia a dia), sempre que isso for acordado com o médico

“Se não apresentar uma rápida melhora, em 10 ou 15 minutos, o paciente deve ir ao hospital imediatamente. Não se pode tentar combater em casa uma crise de asma grave, pois isso pode ser fatal”, explica a pneumologista.

Dia Mundial da Asma, mulher usando nebulizador

O risco dos medicamentos caseiros

Um dos maiores erros, durante uma crise de asma, é tentar controlá-la com medicamentos caseiros. O mesmo chá ou xarope caseiro capaz de trazer benefícios para um paciente pode ser desencadeador da asma para outro paciente, podendo levar ao agravamento da crise.

“O uso do medicamento caseiro é controverso porque não temos evidência científica. Por isso, não sabemos das contra indicações e efeitos colaterais que isso trará ao paciente. Então, o grande alerta é pensar que o medicamento caseiro pode piorar uma crise, pois cada paciente vai responder de uma forma”, explica a doutora Julia.

Por isso, se você ou alguém da sua família tem asma, evite os medicamentos caseiros, especialmente durante crises. Os medicamentos prescritos pelo seu médico são a melhor forma de manter a asma sob controle e de tratar as crises. Por isso, procure orientação médica sempre que tiver qualquer dúvida sobre a asma!

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