Cortisol: aprenda como controlar os níveis do “hormônio do estresse”

por | 30 abr, 2021

5 min. de leitura

Além de todos os riscos do vírus para a saúde, a pandemia de Covid-19 fez os relatos de ansiedade e estresse se tornarem ainda mais comuns durante o período de isolamento social. Você também apresentou algum destes sintomas nos últimos tempos?

Saiba que eles podem levar ao aumento da produção de cortisol, também conhecido como hormônio do estresse.

Ele ganhou esse apelido justamente por ser uma substância produzida para preparar o organismo para os momentos de maior ativação – aqueles nos quais precisamos estar alertas. Situações que deveriam ser eventuais, mas que se tornaram corriqueiras devido ao estilo de vida nas cidades e, no último ano, devido à pandemia.

Em níveis considerados normais, o cortisol é fundamental para manter o metabolismo saudável e o sistema imunológico fortalecido. Mas sua liberação constante, devido ao estresse crônico, pode gerar graves danos à saúde.

Como o cortisol é produzido?

Autor do livro “Um Convite à Saúde”, o endocrinologista Filippo Pedrinola explica que o cortisol tem origem em duas glândulas suprarrenais, localizadas em cima de cada rim – como se fosse um chapeuzinho do órgão. Os níveis do hormônio no organismo variam durante o dia: são maiores pela manhã – pela necessidade de gerar fontes de energia depois de uma noite de sono – e vão diminuindo até chegar aos menores índices, à noite.

Mas enfim, para que serve o Cortisol?

Além de fazer com que o organismo controle o estresse, o cortisol atua no controle das inflamações, no bom funcionamento do sistema imunológico e na manutenção dos níveis de pressão arterial e de glicose no sangue. Todas funções vitais para a sobrevivência. Até aí, tudo bem. O problema começa quando o hormônio começa a ser produzido em escala maior do que a necessária para o organismo. É quando começam a ser observados sintomas como:

  • Queda da testosterona
  • Perda de libido
  • Perda de massa muscular
  • Irregularidade no ciclo menstrual
  • Sensação de fadiga, cansaço e esgotamento

Além disso, o quando liberado em excesso, o cortisol impacta negativamente na função da tireoide, não só pela atuação no cérebro, mas também diminuindo a transformação do hormônio T4, produzido pela tireoide, em T3, que é o hormônio que tem de fato efeito no organismo.

“Hoje em dia, pela situação que a gente vive, a vida corrida e tudo mais, a hiperativação do eixo do hipotálamo (a região do cérebro que aciona as glândulas), da hipófise (glândula endócrina) e da glândula suprarrenal, que produz o cortisol, é constante. Então, muitas vezes, a gente vê o estresse se tornar crônico. E quando ele se torna crônico, é tóxico, pois o excesso da produção do cortisol traz uma série de consequências físicas e emocionais”, afirma Pedrinola.

Algumas condições que geram aumento da produção de cortisol:

  • Estresse crônico
  • Ansiedade
  • Pânico
  • Noites mal dormidas
  • Uso de medicamentos com corticoides

Além disso, o cortisol em excesso também acaba impregnando a região do cérebro chamada de hipocampo – o centro da nossa memória recente. Pedrinola explica que o hipocampo funciona como um caderno de notas onde vão sendo guardados todos os acontecimentos do dia. “À noite, se a gente dormir bem, essas memórias vão para o córtex cerebral e se fixam. Mas se você dormir mal e estiver com o hipocampo cheio de cortisol, por causa do estresse crônico, isso não acontece. É muito comum as pessoas reclamarem de esquecimento, e começarem a achar que estão com Alzheimer, quando, na verdade, estão com estresse crônico: é o excesso de cortisol agindo no cérebro”, diz Pedrinola.

Hormônio do estresse

Como manter os níveis de cortisol sob controle?

A associação do cortisol ao estresse muitas vezes coloca o hormônio na posição de vilão. Mas a verdade é que ele é fundamental à vida humana e só oferece riscos quando sua produção se torna constante devido ao estresse crônico. Por isso, controlar a produção do cortisol no organismo significa manejar o estresse ao qual somos constantemente submetidos. Veja algumas dicas de Pedrinola para o controle do estresse:

“Existem ainda muitas medicações que ajudam a controlar o estresse crônico, a depressão, a ansiedade etc. Muitas vezes, o uso destes medicamentos pode ser necessário para conter a produção de cortisol“, explica o médico.

Se você tem percebido um ou mais dos sintomas descritos no texto, procure adotar medidas de contenção do estresse e, se preciso, procure o apoio de um clínico geral ou endocrinologista.

Estes profissionais podem solicitar exames para detectar os níveis de cortisol no seu organismo e orientar o tratamento para diminuir o estresse crônico e evitar riscos à sua saúde.

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