Autismo: a importância da conscientização e do diagnóstico precoce

por | 2 abr, 2021

6 min. de leitura

O que você sabe sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA)? Para muitas pessoas, as informações podem chegar de maneira equivocada, dificultando a compreensão sobre a síndrome.

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo alerta sobre a importância do conhecimento e do diagnóstico precoce.

Conhecido popularmente apenas como autismo, o TEA é predominante em meninos e reúne uma série de transtornos do neurodesenvolvimento presentes desde o nascimento ou início da infância que provocam prejuízo ou retrocesso no desenvolvimento global cognitivo comportamental da criança.

Ao contrário do que se pode imaginar, o autismo não é uma doença, e sim uma síndrome. “É um padrão de comportamento caracterizado por uma deficiência na comunicação social e no comportamento”, explica a pediatra e neuropsiquiatra Gesika Amorim, especialista em Tratamento integral do autismo, neurodesenvolvimento e saúde mental infância e adolescência. Entre os sintomas, pode-se observar:

  • Déficit na socialização e comunicação
  • Dificuldades na linguagem verbal e não verbal
  • Interesses restritos
  • Movimentos repetitivos
  • Apego excessivo a rotinas
  • Hipo ou hipersensibilidade

Quais são os níveis de autismo?

Embora existam várias formas de manifestação do Transtorno do Espectro Autista, a última edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais deixou de classificar a síndrome em tipos para identificá-la em três níveis, de acordo com a gravidade dos sintomas. Esse diagnóstico é fundamental para estabelecer o tratamento a ser seguido.

“Cada autista é único e as dificuldades variam de intensidade em um mesmo autista”, afirma a doutora Gesika. Conheça os níveis:

Nível 1

Também conhecido como autismo de alto funcionamento, define o quadro no qual a criança tem altas aptidões comportamentais, como de organização e de gestão, mas apresenta dificuldade em outras habilidades do dia a dia. Mesmo com dificuldades de se comunicar, podem desempenhar tarefas específicas com desenvoltura e apresentar uma memória excepcional.

Nível 2

Dificuldade de comunicação verbal, funcionamento mental normal ou abaixo do normal e sensibilidade a sons e luzes estão entre as características do autismo de nível moderado. Pessoas diagnosticadas com o nível 2 também costumam ter fixação em comportamentos e repetição de hábitos. Mesmo precisando de assistência, podem desenvolver algum grau de independência e até exercer uma profissão.

Nível 3

O autismo de baixo funcionamento é o quadro mais severo dentro do espectro. Ele designa as pessoas que, muitas vezes, não conseguem desenvolver autonomia para viver de maneira independente. Por isso, tendem a precisar de apoio em tarefas rotineiras, como alimentação e higiene pessoal. São pessoas que, muitas vezes, não aprendem a falar ou têm grande dificuldade para se comunicar.

Como é realizado o diagnóstico do autismo?

O diagnóstico do autismo é realizado pela avaliação médica da presença de três situações clínicas marcantes:

  • Prejuízo na comunicação verbal ou social: crianças que aos dois anos não falam de 50 a 100 palavras, não constroem frases simples e não conseguem ter diálogos ou compreender ordens. Crianças de mais idade que falam mas estão dentro do espectro não conseguem compreender a linguagem e comunicação social e têm dificuldade de fazer interpretação de texto.
  • Prejuízo na socialização: crianças menores que não atendem pelo nome e preferem brincar sozinhas, sem interagir em rodinhas de amigos. As mais velhas têm dificuldade em iniciar e manter amizades, prejudicando a socialização.
  • Padrões de comportamento restrito e repetido: crianças com mais necessidade de manter rotina e movimentos repetidos, com inflexibilidade na alimentação e na realização de tarefas. Tem interesse fixo, hiperfoco, apego a brinquedos não usuais (como canos ou objetos de montar) e pensamento rígido.

Apenas um médico pode realizar o diagnóstico correto do autismo. Por isso, se seu filho manifestar algum destes sintomas, procure um neuropsiquiatra, psiquiatra infantil ou neuropediatra. Estas são as especializações capazes de identificar o autismo.

Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico do autismo, melhor será o tratamento. “A intenção é fazer o diagnóstico o mais precoce possível e não esperar para o diagnóstico definitivo, perdendo anos preciosos do neurodesenvolvimento da criança”, explica a doutora Gesika.

Quais são os tipos de tratamento do autismo?

Existem vários tipos de tratamento, de acordo com o nível e a necessidade de cada autista. O tratamento básico costuma envolver fono, psicóloga, terapeuta comportamental e terapeuta ocupacional. A maior parte das terapias são baseadas na análise do comportamento, que apresenta mais resultados e tem maior comprovação científica.

Desconstruindo mitos sobre o autismo

Aprender sobre o autismo também inclui desconstruir mitos que, durante anos, estiveram associados a ele. Confira alguns dos mitos que você já deve ter escutado – e descubra por que não são reais.

Autismo tem cura

O autismo não é uma doença – e, até por isso, não tem cura. Isso não significa que, após o diagnóstico, a pessoa com autismo continue sempre nas mesmas condições. Pelo contrário! O acompanhamento médico e tratamento levam a pessoa com autismo a  aprender e se desenvolver, adquirir novas habilidades e se integrando à sociedade.

Autistas não falam nem olham nos olhos

Muitas pessoas com autismo têm dificuldade com o contato visual, pois olhar nos olhos é uma ação que lhe traz muitas informações, fazendo com que se sintam sobrecarregados. A grande maioria dos autistas, porém, fala e olha nos olhos. Muitos deles, porém, fazem isso de uma forma diferente.

Autistas não sentem emoções

Existem autistas que não conseguem transmitir o que sentem. Mas a grande maioria deles é extremamente carinhosa e tem grande emoção e empatia. Algumas pessoas com autismo, porém, não conseguem entender as subjetividades das pessoas com desenvolvimento típico – como falar uma coisa querendo, na verdade, dizer outra – o que pode dificultar a compreensão das emoções.

Existem tratamentos milagrosos para o autismo

Não existem tratamentos milagrosos para o autismo. Há pessoas que se aproveitam do desconhecimento da maioria da população sobre o autismo para aplicar golpes – fique atento e procure sempre médicos especializados no autismo.

Todos os autistas são superinteligentes

Não é uma regra. Existem autistas muito inteligentes, de inteligência mediana e de inteligência abaixo da média.

Vacinas causam autismo

A informação é falsa e o médico que a divulgou foi proibido de exercer a medicina. Mesmo assim, o dano já estava feito, pois muitas pessoas passaram a acreditar nessa informação.

Aprendeu mais sobre o autismo? Se escutar algum mito ou informações que não aparentam ser verdadeiras, cheque em sites especializados ou com profissionais da saúde habilitados a falar sobre o autismo. A conscientização melhora a vida de todos!

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