Alergias de primavera: dicas de prevenção para a turma do espirro

por | 4 dez, 2020

5 min. de leitura

A estação é das flores, mas também pode ser dos espirros. Por isso, este período costuma ser complicado para quem sofre com alergias respiratórias como a bem conhecida rinite. Afinal, a primavera é a época na qual as manifestações clínicas ficam mais evidentes, especialmente para quem mora na região Sul. As alergias ocorrem quando as defesas do organismo são acionadas contra algum inimigo, provocando reações de hipersensibilidade. No período de polinização, esse inimigo é o pólen

Se você é da turma do espirro, saiba que a culpa não é das flores. Essa associação costuma ser feita porque os pólens são grãozinhos minúsculos responsáveis pela reprodução delas – um processo vital para a natureza. Ao serem transportados pelo vento, porém, os grãozinhos entram em contato com a mucosa, provocando uma reação inflamatória – o que também conhecemos como rinite alérgica ou rinite sazonal. E aí, já viu: é aquela sucessão de espirros, coriza abundante, lacrimejamento e coceira nos olhos e no nariz. Não bastasse a sensação, desconfortável por si só, ela tende a piorar em dias quentes, secos e com vento. Ainda há quem sinta ardência, sensação de corpo estranho no olho e fotofobia, uma irritação provocada pela luz forte, que pode ser a natural, como a do sol. 

alergias de pimavera

No Brasil, a incidência de rinite alérgica é uma das mais altas do mundo, atingindo 25% da população. Nos últimos anos, em função das mudanças climáticas,  o desconforto causado pela rinite tem adentrado em outras estações. Isso porque o período de floração tem se antecipado. Ele começa já em agosto e se estende até janeiro, aumentando o tempo e a intensidade das reações. 

E como dar fim a esse desconforto?

Ainda que as reações possam parecer leves, elas são, muitas vezes, difíceis de tratar. A médica alergista Betina Schmitt explica que pessoas sensíveis ao pólen e aos ácaros, por exemplo, irão conviver com essa alergia ao longo da vida. “O uso de medicações vai apenas bloquear sintomas e melhorar a qualidade de vida, mas não vai curar a doença”, explica a alergista. Por isso, corticoides, sprays nasais de uso local e, em alguns casos, colírios antialérgicos e antiinflamatórios costumam ser os principais aliados dos alérgicos nesta época do ano. Casos mais severos podem ser tratados com imunoterapia, o único tratamento capaz de curar a doença, são vacinas para diminuir a sensibilização alérgica – um recurso terapêutico longo, que dura uma média de três anos, e só pode ser realizado com orientação médica. 

A alergista explica que algumas medidas podem ajudar a se precaver da rinite alérgica. Basta estar disposto a tomar cuidados simples, como evitar passeios em locais com muita vegetação ou grama, especialmente em dias ventososAquela faxina na casa também é bem-vinda para manter os ambientes limpos arejados. E, se você tem pátio, o ideal é combinar que outra pessoa corte a grama nessa época, pois os espirros são certeiros . 

Quando alguma dessas tarefas for obrigatória, é o acessório que se tornou indispensável em tempos de pandemia que poderá ajudar. “O uso das máscaras pode bloquear o contato com os ácaros e com os pólens. Ela vai evitar, de forma geral, a inalação de partículas alergênicas”, afirma Betina. Ou seja: se você tem rinite, tem um motivo a mais para usar máscaras em ambientes ao ar livre.  

alegria de primavera

Rinite e coronavírus

E por falar em máscaras, a relação entre a rinite e o coronavírus tem sido motivo de preocupação para muitos alérgicos. Muita gente tem buscado o Google para tirar essa dúvida, e nós, é claro, buscamos uma especialista. A resposta dela nos deixa respirar mais aliviado: o paciente com rinite não tem predisposição a ter mais chance de contrair a COVID-19. “Ainda que ele seja asmático, e desde que seja uma asma controlada, ele não está mais vulnerável a contrair a forma grave do coronavírus”, explica a alergista Betina. O único cuidado redobrado deve se aplicar ao uso da máscara. Sabe aquela vontade de coçar o nariz típica da rinite? É aí que mora o perigo! Por isso, evite, de todas as formas, ficar mexendo na máscara ou coçar o nariz com máscara, pois isso diminui a eficácia da proteção.  

Betina também esclarece que, por ter mais secreção nasal e coriza, os alérgicos toleram por menos tempo o uso da máscara. “Ela deve ser trocada com mais frequência, pois a umedece mais rapidamente e pode perder a eficácia contra a infecção, que é o objetivo dela. O ideal é que seja trocada a cada duas horas”, explica Betina. Então, se você tem rinite, abuse da máscara. Além de prevenir contra o coronavírus, ela pode diminuir as reações alérgicas provocadas pelo pólen. 

0 comentários

Trackbacks/Pingbacks

  1. Contágio, reinfecção, remédios caseiros: desvende mitos sobre a Covid-19 - Blog Bem Panvel - […] Não há relação entre o uso de máscaras e o desenvolvimento de doenças respiratórias (leia mais neste post). “É…
  2. Gripe ou resfriado? O que é cada um e como identificar - Blog Bem Panvel - […] comuns do resfriado são parecidos com os da gripe e incluem febre leve, dor de ouvido ou garganta, espirros,…

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pin It on Pinterest