Além da má alimentação: conheça os diferentes tipos, causas e sintomas de anemia

por | 1 set, 2021

7 min. de leitura

A anemia é caracterizada pelo número baixo de glóbulos vermelhos (hemácias) no sangue, que são as células responsáveis pelo transporte do oxigênio para os órgãos de todo o organismo. Um indivíduo é diagnosticado com anemia quando os valores de concentração de hemoglobina – molécula presente nas hemácias – estão abaixo do normal, o que varia conforme a idade e o sexo.

Apesar de em sua maioria as anemias estarem associadas à má alimentação, há inúmeros fatores que podem levar ao aparecimento de anemia. Além disso, cabe ressaltar que as anemias não são todas iguais. O médico hematologista do Hospital Mãe de Deus Tito Emílio Vanelli Costa explica que as causas mais comuns desta condição estão ligadas a carência nutricional, como: a anemia ferropriva, causada pela deficiência de ferro e perda de ferro por sangramentos; e a anemia megaloblástica, causada pela deficiência de vitamina B12.

A anemia causada pela carência de ferro é o tipo mais comum no mundo. De acordo com a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), estima-se que a deficiência de ferro acomete um terço da população mundial, indicando que cerca de dois bilhões de pessoas têm deficiência de ferro.

Doenças crônicas, inflamatórias, autoimunes e distúrbios da medula óssea também podem causar anemia. Existem ainda as anemias dos tipos congênitas, como anemia falciforme e talassemias, além das anemias hemolíticas, onde, segundo Vanelli, ocorre a destruição dos glóbulos vermelhos pelo próprio organismo.

“No adulto as causas são diversas, mas há fatores de risco como cirurgia bariátrica, problemas de absorção de nutrientes pelo intestino, sangramentos crônicos, doenças crônicas como o câncer, entre outros. Na criança, a principal causa de anemia é a baixa ingestão de alimentos ricos em ferro, como carne e fígado, levando a anemia ferropriva”, esclarece o hematologista.

Principais sintomas

De acordo com Vanelli, os sintomas mais comuns causados pela anemia estão relacionados à falta de oxigênio aos órgãos. Por isso, na maioria dos casos, o paciente pode apresentar:

  • Fadiga e cansaço generalizado;
  • Tonturas;
  • Sonolência;
  • Falta de ar;
  • Falta de apetite;
  • Taquicardia ou palpitações;
  • Palidez da pele e mucosas, como a parte interna dos olhos e gengivas.

Além destes sinais mais gerais, cada causa da doença pode apresentar manifestações características. “Dependendo da causa da anemia, podem haver sintomas específicos como queda de cabelo, fragilidade de unhas e dificuldade de concentração, como é o caso da anemia por deficiência de ferro”, aponta Vanelli.

Nas crianças, a doença ainda pode afetar o desenvolvimento cognitivo, prejudicando o aprendizado e as habilidades, como também pode aumentar os riscos para infecções e retardar o crescimento.

Quando procurar ajuda médica

Ao apresentar os sintomas, é imprescindível consultar um médico para melhor identificar a condição. Geralmente, para detectar a anemia, o profissional realiza um exame físico completo no paciente, visto que a palidez é um sintoma muito característico da doença. Além disso, é necessário realizar exames laboratoriais, como o hemograma, que avalia a quantidade de glóbulos vermelhos (hemácias), glóbulos brancos (leucócitos) e plaquetas (coagulação sanguínea) presentes no sangue.

“Na criança, a anemia ferropriva está ligada a deficiência de crescimento, problemas de memória e atenção, sendo um problema de saúde pública. No adulto, é fundamental buscar e tratar a causa da anemia, já que pode ser um sinal de graves problemas de saúde subjacentes”.

Considerando que a anemia se manifesta por causas diferentes, o tratamento varia conforme sua causa. Por isso é fundamental consultar um profissional habilitado sempre que houver suspeita de anemia, além de realizar exames de rotina. Somente um médico poderá indicar o tratamento mais adequado.

“Toda anemia deve ser corretamente investigada quanto a sua causa e devidamente tratada. Ter anemia nunca é normal, portanto é fundamental procurar ajuda médica, já que por trás de um quadro de anemia, pode estar uma doença a ser diagnosticada”, alerta o hematologista.

Anemia na gravidez

A anemia por deficiência de ferro é uma condição comum durante o período de gestação e que, segundo Vanelli, deve ser prontamente prevenida e tratada, uma vez que pode apresentar algum risco para a mãe e o bebê.

O hematologista ressalta que o ferro é um elemento essencial para o desenvolvimento adequado do feto e para a saúde materna. “O acompanhamento pré natal adequado é capaz de detectar anemia através dos exames de sangue e o médico deve encaminhar o correto tratamento quando essa for detectada”.

A anemia pode virar leucemia?

Existem diversos mitos que cercam a anemia, um deles traz a questão da doença estar associada ou não à leucemia. Para esclarecer, Vanelli aponta que a anemia e a leucemia são condições que devem ser vistas de formas diferentes.


“As anemias mais comuns, como a ferropriva, não têm nenhuma relação com desenvolvimento de leucemia, um tipo de câncer da medula óssea”.  No entanto, ele pondera: “A anemia pode ser um dos sinais de problemas da medula óssea, chamados de mielodisplasia. Essa condição, que é mais comum em adultos e idosos, pode estar associada a um risco aumentado de desenvolver leucemia aguda”, reforça.

Prevenção

Algumas medidas simples podem ser tomadas para prevenir a anemia causada pela deficiência nutricional, como manter uma alimentação balanceada e rica em ferro, vitaminas B12 e C, que auxiliam na produção da hemoglobina. Além disso, segundo orientações gerais da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), é recomendado:

  • Ingerir carnes em geral;
  • Beber suco de frutas com vitamina C;
  • Não misturar leite ou chá na mesma refeição;
  • Evitar chocolate como sobremesa;
  • Evitar cereais integrais.

A ABHH ainda aponta que existem fatores que possam favorecer a absorção de ferro no organismo, como alimentos ricos em ácido ascórbico, que está presente no cajú, leguminosas e goiaba, bem como carne de boi, peixe, aves e fígado. Porém, é importante se atentar também nos fatores que podem dificultar a absorção de ferro não-heme, presente em alimentos de origem vegetal, como: alimentos que contêm fitatos, fosfatos e carbonatos, encontrados no abacaxi, hortaliças e leite;  tanino, composto encontrado em chás e café; fosfoproteína, no gema de ovo; e alguns medicamentos como antibióticos.

“A anemia na criança é quase sempre prevenível promovendo a alimentação saudável e com inclusão de alimentos ricos em ferro. Outro exemplo é em pacientes que foram submetidos à cirurgia bariátrica, onde é importante manter o acompanhamento nutricional a longo prazo visando prevenir deficiência de ferro e vitamina B12”, destaca o médico Tito Emílio Vanelli Costa.

Cuide da sua saúde, tenha uma alimentação saudável e procure orientação de um profissional de saúde caso tenha dúvidas ou perceba sintomas. Compartilhe esse conteúdo para que mais pessoas fiquem informadas.

 
Fonte: Infohealth

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